CIDINHA DA SILVA, a voz da muller negra indignada

Maria Aparecida da Silva, Cidinha da Silva, é nada en Belo Horizonte, aló polo 1967, de xeito que é máis nova Alzira Rufino ou Beatriz Nascimento, de quen xa escribín nestas páxinas mais partilla con elas a preocupación pola compoñente africana á hora de explicar a actual idiosincrasia da poboación negra da América Latina, especialmente da muller. E, como Alzira e Beatriz, formouse en Historia, neste caso pola Unioversidade Federal de Minas Gerais.

Comezou publicando estudos sobre realcións sociais, de xénero e de diálogo co interese centrado na mocidade e educación. É a partir de 2006 que se manifesta como escritora, no eido literario, e a súa voz crítica e indignada será/é unha das máis fondas, documentadas e reactivas á hora de expoñer a problemática negra no Brasil. Ou, o que case é dicir o mesmo, á hora de denunciar abertamente o racismo,  e tamén o machismo ou cuestións de xénero. Presidiu o Geledés-Iinstituto da Mulher Negra , institución política brasileira interesada no racismo e sexismo como formas de discriminación que atinxen a colectividade negra en primeiro lugar e moi especilamente á muller negra, que por ser muller e negra é duplamente discriminada. Non se pode estar ao día nestas cuestións sen consultar o Geledés, así de simple. Cidinha, posteriormente fundou o Instituto Kuanza. Sempre na mesma loita, tamén se ocupará da área de cultura na Fundação Cultural Palmares, entidade pública vinculada ao Ministério de Cultura desde 1988, dedicada a promover e preservar os valores culturais, sociais e económicos decorrentes da influencia negra na formación da sociedade brasileira.

Ben, como escritora, no eido da ficción é sobre todo coñecida e recoñecida como prosadora. Como poeta publicou un só título, as Canções de amor e dengo (2016) e de aí sairán os poemas que a seguir poñeremos, precisamente porque nos interesa salientar a súa faciana poética, tan subordinada e, a noso xuízo, esquecida inxustamente. Porén, antes indiquemos que escribiu/escribe wsobre todo crónicas ( o último título que lle acordamos é Parem de nos matar!, de 2016, e é o sexto título neste xénero). Tamén incursionou na LIX, con tres títulos, e no teatro, con dous. Mantén aberto un blog de consulta obrigada para quen estiver intersad@ na problemática da muller negra no Brasil. Outra problemática que a ocupa, e non menos importante que as outras, é a lésbica, como se verá nos poemas que lle fomos recollendo na rede:

(Antes, par aquen quixer máis información, remitímol@ a este artigo, con entrevista incluída, de Patrícia Freire)

O fundo do fim

A dor maior do fim daquele amor
Era a ferida desnuda
No fundo do abismo sem fundo
Depois da esperança partida

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Química sentimental

Há dias em que ser o som do alaúde no deserto
Não tem lirismo algum
Dias em que caminhar na areia
Sob o sol e o vento
Transpirando
Fazendo fotossíntese
É a fórmula para decantar o amor
E protegê-lo

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Chuva

Ontem chovi

Era chumbo
A nuvem que me matava
Chovi mágoa
Contrita
Ebó despachado na praça
Na encruza do tempo perdido
Chovi no pântano dos afogados
Mangue de dor
Sem flor que nasça
Chovi o amor guardado
Tudo é morte
Tudo é renovação
Só por chover
Amor
Vivo

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À mulher consagrada a Iemanjá


Amada
Não procure poemas teus
Nesse cascalho de bobagens minhas
Enquanto te amei
Confesso
Não escrevi poemas a ti
Ocupada demais estive
Em ser feliz

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A voz funda do rio


Quando ela diz meu nome em tom grave, quando ri forte e divertida, há uma força telúrica que escapa do lago e faz redemoinhos insondáveis.

Quando ela diz venha, é sopro de vida, fogaréu de alegria para meu coração que quer tanto segui-la.

Quando ela diz tô com saudade de tu, me derreto como manteiga ao sol. Assim mesmo, com gosto do que se come, do que se degusta.

Eu deixo de ser oblíqua e me torno pronome-sujeito na língua da mulher que me ama.

*

A mulher que domava camelos

Olhos de pássaro
Ela tinha
Olhos de menina que se nina com o véu

Eu me lembrava do olhar de um passarinho
Colibri, Beija-fl or, Andorinha
Pássaro preto, Trinca-ferro, João-de-barro
E reconhecia nos olhos dela
O mesmo que de melancolia e ternura
De placidez na liberdade fugidia

Um jeito dos Andes
Das Mil e uma noites
Do Sahel
Olhos de cavaleira berbere
Tuareg
Beduína
De domadora de dromedários

Olhos de pássaro
Ela mantinha
Quando me ofertava
Por entre as pálpebras cerradas
A liberdade
No fio sorridente
Da navalha

*

Lençóis

Minha amada quando mira as estrelas
Pela miríade de seus olhos mansos
Enxerga tantos brilhos, tantas belezas
E não se perde em certezas
Só tem dança, alegria, água e amor
E eu não me sinto só na imensidão do céu
Porque sei que ela pensa em mim
E meu peito se faz paz
E o corpo, vulcão

*


Tambor das águas

É do Mara! É do maracá!
Ela tocou tambor no maracatu
Inaugurou linhagem
Reinou na mansidão de Oxum
As águas forçaram as portas
As mãos das mulheres puderam tocar o
                                                 [couro

E o maracatu dos homens
Nunca mais foi o mesmo

*

Correnteza

Quando ela quer
Quer com a força de uma queda d’água
Incontestável, indomável, irresistível
Mergulho
No abismo de água doce
E um vazio com gosto de mel
Toma conta de tudo

*


É coisa, viu?
Era a mulher certa, sim! O  relógio da vida é que andava desgovernado.

*


Tolinha

Numa roda de amigas novas, um alerta para evitar constrangimentos: só gostava de menininhas. Tola. Tolinha. Femme fatale tomada pela bruma da afetação. Mal enxergava à sua volta as que preferem as mulheres fortes, maduras no reconhecimento da própria imaturidade.

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Titulamos este artigo “Cidinha da Silva, a voz da mulher negra indignada”. Non é a única, por suposto, aínda nos quedan moitas por traer a estas páxinas. Véxase por exemplo esto longo e precioso poema de Tatiane Pereira, á que non lle coñecemos título poético ningún, mais que sen dúbida é unha voz extremadamente interesante e intensa. Recollémola do Geledés, nesta ligazón porque é un texto moi extenso.

Que vos preste!

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Como sempre estes artigos van dedicados ás mulleres que foron/son decisivas na miña vida. Hoxe, este artigo vai para Rocío. É a miña esposa, a nai do meu fillo. Tamén foi musa dalgúns poemas meus, que xa non son meus porque os escibín para ela. E dela son.

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