Maria Rezende. Celebración da poesía e da vida.

Habitulamente, as poetas que divulgo os domingos desde esta Ferradura en Tránsito II, nacen dun proceso de selección, no que teño en conta o que se escribiu sobre a súa poesía, mais é o meu criterio o que finalmente resulta decisivo. Causas alleas á niña vontade fixeron que esta semana dispuxera de moito menos tempo, en vista do cal a elección da poesía de María Rezende responde a ser ela xa unha poeta celebrada no Brasil. É dicir, o meu interese diríxese máis a aquelas que, sendo boas ou moi boas poetas, non tiveron esa sorte, algunas (como Juliana Krapp) nin sequera publicaron poemario en solitario. Porén, deixarse levar polas opinión alleas, tamén é un exercicio ben interesante, pois revela un estado de opinión que sendo distinto do meu pode ser ben esclarecedor, ao dar unha imaxe nítida das preferencias críticas actuáis no Brasil. E, tamén, tamén, como ocorre con Maria Rezende, pode que nos leve a unha poesía de calidade.

Comezarei diciendo que os inicios de Maria Rezende non foron doados. Coma moitas otras poetas, tivo que recorrer á autoedión, segundo teño entendido. Porén, alumna avanxada de Elisa Lucinda,  a poesía de María Rezende (1978) recibiu eloxios de nomes tan importantes como Ferreira Gullar, Martha Medeiros, José Saramago ou Manoel de Barros. Ademais, evidentemente, dunha Elisa Lucinda, que  foi quen a confirmou como poeta unha vez que Maria Rezende lle ensinou os seus poemas.

Tendo como oficio do cal vivir ser montadora de cinema, o que máis quero salientar en Maria Rezende é que ela fixo da poesía o centro da súa vida. Teño dito moitas veces que a escrita de un poemario ou dous con certa calidade pode acontecerlle a calquera. Porén @s auténtic@s poetas son quen vive a poesía, quen na retina dos seus ollos e do seu sentir recoñece a poesía en todo momento, en calquera ocasión que a existencia lle pon diante. Tanto é así que Ricardo Silva, nun comentario moi acertado desde o meu punto de vista, relaciona o poemario Carne de umbigo, coa autoficción narrativa (que para el representa Karl Ove Knausgard, e que entre nós está de actualidade co Carrusel de Berta Dávila). Acho que este comentario de Ricardo Silva serve moi ben para indicar o tipo de poesía que escribe Maria Rezende, e tamén a forma en que a poesía nace na poeta.

Substantivo feminino (2003) foi o seu poemario de presentación. Un poemario moi ben recibido que, naquela altura, xa indicaba a compoñente feminista que nunca a vai abandonar, e que constituirá unha parte moi importante do seu activismo social a partir da poesía. Porque Maria entende que a poesía é o centro da súa vida, tamén sabe que a poesía é a mellor arma para loitar contra as inxustizas e opresión de que é obxecto a muller (constantemente, e máis nun país como o Brasil, hoxe gobernado polo machista Bolosonaro).

Despois virían Bendita palabra ( 2008) e Carne de umbigo (2015), e a colectánea Hermanas (2019) en parcería con Amparo Sánchez. Performer convencida do inmenso  valor da dimensión oral na poesía, os seus dous primeiros libros ían acompañados de CD e hoxe ten unha importante presencia no Youtube.

Resta sinalar que o éxito tamén a acompañou, na Arxentina, en Portugal ou en España. Mais iso non é senón a constatación da súa altura como poeta. E como poeta oficia tamén casamentos, unha actividade curiosa para cal cómpre ter unha formación poética moi grande, cómpre dominar a arte poética da palabra moi-moi-moi ben: casar oficiando Maria Rezende ten que ser un auténtico privilexio.

Sen máis, indicar a súa páxina web.

O seu Facebook.

(Non confundir con Maria Valeria Rezende.

A seguir, unha selecta dos seus poemas que inclúe algún dos máis celebrados, como “Pau mole”.

A disfrutar!

…………………………………………..

(En Litertura br.)

[poema sem título]

Bendita é a palavra
que atravessa o meu deserto
e ultrapassa o meu silêncio

Bendita cada letra escrita
cada som soprado ou dito
– seja sussurro, seja grito –

Bendito o fruto desse alfabeto
o eco novo que meus dedos trazem
espelho torto de me revelar

Eu velo é pela força dela
e são pra ela todas as minhas rezas
pro seu feitiço e pra sua ferida

Bendita também a palavra maldita
que bota fogo nesse apartamento
a portadora de toda a agonia

Toda palavra carrega um incêndio
cada palavra tem no fundo um mar
bendita é a palavra que se deixa respirar

*

[poema sem título]

O risco não é só um traço
é a distância entre um prédio e outro
a diferença entre o pulo e o salto

O risco é riqueza e asfalto a percorrer
pode ser a pé
pode ser voar
o risco é o bambo da corda solta no ar

Dentro dele cabe cálculo
cabe medo e incerteza
cabe impulso instinto plano

O risco é a pergunta te atacando ao meio-dia
é o preço do sonho pra virar realidade
é a voz das outras gentes testando a tua vontade

Aceitá-lo é saber que não existe
estrada certa
linha reta
vida fácil pela frente

Mas que asa
asa
asa
só ganha quem planta no escuro do braço
essa semente de poder voar

*

Pulso aberto

Somos porta de entrada
e de saída
somos deusas e escravas
há mil gerações

Dentes afiados
no escuro de entre as pernas
veneno na ponta da cauda
bruxas putas loucas santas

Somos as que sangram sem ferida
donas do prazer
donas da dor
as invisíveis
as perigosas
as pecadoras
as predadoras

Insaciáveis e geradoras
os corpos secretas casas
somos seres de unhas e tetas
caminhando aos milhares as estradas

Somos a terra e a semente
carne de aluguel em alma de rainha
as submissas as bacantes
as que procriam e as que não

Somos as que evitam o desastre
as que inventam a vida
as que adiam o fim
mulher
multidão

*

[poema sem título]

Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e adoro pau mole.

Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável
e pelo que encerra de possibilidade.

Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência
de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
– ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade
sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

*

O mar por dentro

Eu pus as mãos no seu cabelo sem pedir
eu te toquei e só então vi: te invadi

Todo corpo é uma casa
cada corpo é um frasco onde se lê: frágil
onde se lê: força
onde se lê: entre sem bater

Há entre nós silêncios confortáveis
e conversas transparentes
palavras feitas de dedo e vapor
palavras que só acordam com o calor

Moça de duas bocas que sou
eu te devoro
de devolvo
te leio com as mãos
durmo nos teus braços
não te prendo
eu te passo, passarinho
e agradeço pelo ninho de sonho entre meus frutos
pela seta apontada pro presente
pelo afeto direto e sem rodeios
por tudo que a gente não disse

Você só seria mais bonito, moço
se não existisse


……………………………………………………

(na Gueto)

do amor e outros demônios
(*inédito)

O amor nos tempos do cólera
o amor de coleira
amor livre mas não despido
nu de meias
o amor de capa de chuva

Amor que cuida
de si
do outro
da humanidade
amor sem temor
mas sem ingenuidade

Amor sem ilusão
amor de verdade
com força fé látex coragem

Amor que permanece
que atravessa as idades
amor que cura

Mucosa com mucosa
agora é só pra quem
mais do que duro
dura

memória e maravilha
(*inédito)

Com os cabelos cheirando a sexo
e o corpo limpíssimo de depois do gozo
me deito

A cama no cio sibila e pulsa

Uma vertigem habita a nuca
tenho um mar na carne
e uma cachoeira nas costas

A boca deságua sinuosa
a pele brilha
banhada em memória e maravilha

s/título
(*do livro Bendita palavra)

Nesse lugar-poema
Desse livro que eu escrevo
Invento uma fala clara
Palavra feita pra boca
Com jeito de todo dia
E destino de se espalhar:

Nu aqui é pelado
Seio é peito
Bruma é neblina
Pungente é tudo que dói

Vasta é grande
Casta é pura
Retém aqui é segura

Aqui bela é bonita
Adorna é enfeita
Enreda é enrosca

Aqui não cabe floreio
Aqui reverto a inversão:
Simplicidade, aqui, é sofisticação.

pulso aberto
(*do livro Carne do umbigo)

Somos porta de entrada
e porta de saída
somos deusas e escravas
há mil gerações

Dentes afiados
no escuro de entre as pernas
veneno na ponta da cauda
bruxas
putas
loucas
santas

Somos as que sangram sem ferida
donas do prazer
donas da dor
as invisíveis
as perigosas
as pecadoras
as predadoras

Insaciáveis e geradoras
os corpos secretas casas
somos seres de unhas e tetas
caminhando aos milhares as estradas

Somos a terra e a semente
carne de aluguel em alma de rainha
as submissas
as bacantes
as que procriam e as que não

Somos as que evitam o desastre
as que inventam a vida
as que adiam o fim
mulher
multidão

para Eduardo Galeano

kintsugi
(*poema do livro Hermanas)

Não ser a mulher do avião
ruminando a palavra amor
a vida escorrendo verde pelo canto da boca

Não ser a que se desculpa
pelo almoço
pela agenda
por voar
por existir

Ser vibrante
ter a voz inteira
não oferecer soluções pra inexistentes problemas
não se espatifar
não se desmilinguir

Nunca ser a mulher do avião
engolindo sua culpa com amendoins
mendigando afeto pelo telemóvel

Ser frágil
aceitar as quedas
desistir de polir cada mínima aresta
e remendar com ouro as rachaduras

…………………………………………………

( En Poema diario)

Par – Maria Rezende

I

Gente para e gente passa

A vida anda seus passos

O peito quebra em pedaços

E o amor reside em mim

O amor sobrevive à festa

É ele que vence a batalha

É o prêmio e é a arma

Meu até depois do fim

Que o amor a gente carrega

O amor é de cada um

Substantivo feminino

De conjugação comum.

(do livro “Substantivo feminino”, Ibis Libris)

…………………………………………

(En Poema diario)

No escuro dos olhos fechados me equilibrar do desejo

a cama fluída como mar

o peito macio de ar e de risos

sussurros suspiros sumiços no espaço

Detesto seus banhos em outras banheiras

e as músicas lindas que tinha por lá

tudo teu bonito eu quero

o de antes – o de antes

Quero o que dói e o que grita

teu suor, teus sonhos ruins

quero ser cura e veneno

quero o prazer mais pequeno que você puder sentir

Quando o planeta rugir

e o infinito for possível em todas as direções

quero ser um nos teus dentes

teu nome em mim feito um filho

feito gente

feito carne de pegar

(do livro “Bendita palavra”, Editora 7Letras)

………………………….

Na web da autora

DNA:

Leão no mapa
na cabeceira
na certidão de nascimento

No toque entre os dedos
no branco precoce dos cabelos

Em fitas e fitas
de ácido desoxirribonucleico

“Cabelos não sentem
não suam
não têm função
servem só pra fazer falta quando faltam
servem só pra enfeitar e carregar

Levam o mar em nós de sal
a água doce antes de evaporar
o suor do desejo consumado
e cada cheiro do caminhos

Cabelo vivo
guardião de beijos
ninho sem pássaros
perfume em que os dedos podem se enroscar

(na web, de Bendita palabra)

Nesse lugar-poema
desse livro que eu escrevo
invento uma fala clara
palavra feita pra boca
com jeito de todo dia
e destino de se espalhar

Nu aqui é pelado
seio é peito
bruma é neblina
pungente é tudo que dói

Vasta é grande
casta é pura
retém aqui é segura

Aqui não cabe floreio
aqui reverto a inversão
simplicidade, aqui, é sofisticação

…………………..

(Nota re revisão de Substantivo femenino, ,na web da autora)

você que me pegou vestida de poema
entorpecida de sexo e felicidade
e se assustou
e fugiu do tamanho do susto
naquele fim de noite de janeiro,
se acalme amigo:

toda palavra é exagero.

…………………….

Na web da autora

 OLHA-LÁ –

A gente precisa conversar sobre o tempo.

De como ele muda com o ângulo, com a luz.

Como tem jeitos, é manhoso, e nunca para,

a não ser pra entediar o sujeito.

Tem exatos trinta dias que:

.uma das minhas pessoas preferidas saiu de um avião prum velório

.eu me perdi num bairro novo

.vinho demais reinaugurou a receita

Parece que faz anos. Ou que foi ontem.

Setecentas e trinta horas ou um doze avos do ano

ou novecentas checadas de email ou dois torpedos

ou vinte e cinco minutos de mão dada numa igreja lotada.

Quem comanda a ampulheta?

E se eu soprar de leve o aviãozinho de papel pra passar logo?

E se eu agarrar com os dez dedos a lembrança de cada frase

pra durar um pouco mais?

A gente precisa conversar sobre o tempo.

Quantas luas dura o encanto no silêncio?

A dor da perda é conta-gotas ou catavento?

Ainda se chama espera quando se está em movimento?

………………………………………

Na web da autora

hoje

se o chão não é mais embaixo e o teto não em cima
se o vento arranha e a chuva arde
se o impacto da pancada anestesia ao invés de arroxear
quando as palavras perdem a força
quando o azul vira palidez e a beleza não é mais nada

fazer o quê com o peito que não ouve nem fala?
as mãos agem
as pernas agem
a água do chuveiro cai e age

o sentimento não
o sentimento parou numa tarde cinza
uma cadeira dura
uma notícia dura
e a tristeza nos olhos de quem vê o corte, e não de quem perde o sangue

eu não fujo mais de nada
mas não mergulho na piscina de desespero
eu sento na beirada
eu não morro
eu vivo
eu sento na beirada e espero a dor chegar

……

Na web da autora, de Substantivo feminino

Uma mulher é uma mulher ainda que.
Palavras e formas não comportam o conteúdo.
Uma mulher pode ser um jeito
Uma costela ou um defeito.
Uma mulher transborda pelos cantos
Enche as medidas
Contorna o desafino
Toca punheta e toca sino.
Uma mulher pode ser um grito
Uma barriga
Um precipício.
Uma mulher pode ser um abismo ou um porto
E pode ser os dois
E é.

…………………..

Criança de rua sem circo na praça quinze.

Criança malabarista de sinal,
de bola de tênis voando baixo,
rolando longe no asfalto molhado,
na poça vermelha do sinal fechado.

Criança dessa tem o circo é dentro dela:
é trapezista saltando no ar sem rede de proteção;
é palhaço de si, rindo do que não há,
fingindo ser ensaiada a puxada de cadeira que a derruba,
a tinta na cara feito máscara que a torne personagem
e só assim capaz de suportar esse número.

Criança dessa é bailarina sem roupa nem sombrinha
se equilibrando descalça na linha fina demais da vida,
o leão solto da jaula pronto pra dar o bote
e ela mágico sem cartola de onde tirar o truque derradeiro que a salve.
Pula o leão, vai-se a criança engolida numa só bocada.

De pé, o respeitável público aplaude e come amendoim.”

………………

esse?

Deita, amor, na minha harmonia
Rola mexe vira e me ensina a ser gente inteira
Gente com todas as partes
Tudo certo no lugar
Me ajuda a achar o erro e me ajuda a consertar

Deixa eu ser sua parceira
Sua mulher de verso e prosa
Sua rima
Sua rosa
Seu mistério indevassável
Deixa eu sambar na sua voz
E gritar no seu prazer

Quero ser sua mulher-filme
Mulher toda feita pra ver
E quero ser de verdade
Passar roupa pra você
Parir cada um dos seus filhos
Chupetas poemas canções
Te amar nas noites de medo
E na febre das manhãs

Me olha com seu desejo
Eu visto a sua fantasia
Mas olha sem querer nada
Olho limpo de enxergar

Quem eu sou já vale a pena
Vida é sempre melhor que poema
E a minha versão carne e osso
Bate de longe o cinema do seu sonho

A música que eu posso ser
Só você sabe cantar
E a melhor das minhas palavras
Não vale o calor da sua nuca

(a harmonia que conta é a que não se pode tocar)

…………….

 (De Poesia sempre)

No meio dos meus peitos mora o filho que eu vou ter.

O buraco que tem lá foi feito por ele em mim muito antes de chegar.
Desse buraco eu nasci.

Quando ele aparecer pra mulher que eu me tornei
é nesse buraco antigo,
bem no meio dos meus peitos,
que ele vai se encaixar.

Esse filho que vai vir faz meus dentes mais macios e ilumina o meu olhar.

Lá no fundo do buraco,
ocupando aquele espaço,
estão minhas dádivas mais raras:
as doçuras que eu cultivo,
minhas melhores palavras,
esperança armazenada esperando ele chegar.

O dia em que ele vier ocupar minha barriga
é nesse sonho vivido que ele vai se aconchegar,
até que meus peitos inchados jorrem no seu corpo novo
todo o leite abençoado que vai nos alimentar.

Desse instante eu vou viver.

……………….

(En República dos poetas)

“a saudade é uma espécie de velhice”

(Guimarães Rosa)

Um medo como nunca houve
Medo que nunca se soube
E o calor seco no escuro
Socando o peito aos pouquinhos
Soluços a escorregar

Noite vira dia
Cama inunda a casa
Sol morena o corpo
E o medo segue a rondar

O medo e seus precipícios
O medo e seus edifícios
Torres pontes muros altos
O mundo a desmoronar

O amor beija o medo nos olhos
Põe no colo, nina, cuida
E o medo se vira em quase
Mão dada abraço carinho
O medo quase certeza
Quase não medo, quase amor

O amor sussurra as palavras
O medo – ostra – as engole
O amor aquieta os sentidos
E o medo a envenenar

Com sua espada de fogo
Com sua lança afiada
Sua língua de serpente
O osso duro dos dentes

É uma espécie de velhice
É divisor incomum
Ameaça, dedo em riste
É dois virado em um

É tudo que nega, afasta
Medo senhor do universo
É anti-felicidade
Porta fechada, deserto.

…………..

(Na web da autora)

Abrindo a mudança, o poema:

O risco não é só um traço
É a distância entre um prédio e outro
A diferença entre o pulo e o salto

O risco é riqueza e asfalto a percorrer
Pode ser a pé
Pode ser voar
O risco é o bambo da corda solta no ar

Dentro dele cabe cálculo
Cabe medo e incerteza
Cabe impulso instinto plano

O risco é a pergunta te atacando ao meio-dia
É o preço do sonho pra virar realidade
É a voz das outras gentes testando a tua vontade

Aceitá-lo é saber que não existe
Estrada certa
Linha reta
Vida fácil pela frente

Mas que asa
Asa
Asa
Só ganha quem planta no escuro do braço
Essa semente de poder voar

……………………………

(Na FL@P)

MORRER PODIA SER SÓ UM POUQUINHO
podia ser um passeio
viagem pela noite que acaba num café

Morrer como uma aventura
uma montanha
andar o deserto a pé e depois voltar

Como dançar de olho fechado
se perder em outro corpo
como uísque bom, um sono inteiro
um prazer, um cheiro

Morrer podia até ser um castigo
porta fechada com prazo de fim
mas não esse buraco, esse abismo
seu riso pra sempre ausente
sua música soando e mim

(Rezende, Maria. Bendita Palavra. Rio de Janeiro, 7Letras, 2008 )





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