JARID ARRAES: poeta brasileira, negra, transgresora, reivindicativa, feminista…

Nacida en 1991, Jarid Arraes é una das voces máis novas da poesía brasileira, concretamente da poesía brasileira escrita por mulleres negras. De feito, un artigo seu para Mulheres que escrevem, foi o que me levou a min a concebir esta serie de artigos sobre poetas negras brasileiras, debo recoñecer.

                Jarid non só é poeta recoñecida senón tamén cordelista. É dicir, autora de textos de cordel, que é algo novo para nós os galegos e non debería selo tanto. Popularizouse no Brasil aló polo XVIII, e é, en si, unha literatura (poesía) de raigame popular. As fontes consultadas derívana da Lírica Medieval galego-portuguesa, sen deixar de recoñecer tamén a infuencia de “repentistas” ( o que para nós serían os regueifeiros). Dalgunha  maneira parécese á poesía popular que aló polo XIX ( e antes tamén, claro) e mesmo no XX…relataba feitos memorábeis para unha comunidade (parroquia, etc), era un tipo de poesía popular que nos levaría a falar dos cantares de cego, por suposto. Esta literatura de cordel é escrita con métrica fixa e, por supoto, rima. Tematicamente é localista, e fíxase sobre todo en aspectos folclóricos. Moitas veces vai ilustrada con xilogravuras. É propia do Nordeste brasileiro ( Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará, Río Grande do Norte e Ceará) e moitos autores sentiron a súa influencia, nomes como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna ou Guimarães Rosa… Formalmente cómpre salientar a linguaxe coloquial, o uso de recursos humorísticos (ironía, sarcasmo…). mesmo existe unha Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Así chamada, de cordel, porque del penduraban os autores as súas composición para vendelas. Nun xénero tradicionalmente dominado por autorías masculinas, é de sinalar a irrupción de Jarid Arraes como unha excelente noticia para a literatura brasileira feminina, e , aínda máis, negra. E non queremos rematar sen sianlar a súa obra Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis polo que ten de reivindicativa das mulleres e sobre todo das mulleres negras, que sempre viviron peores condicións sociais.

                Unha vez explicada a literatura de cordel, cómpre sinalar que Jarid tamén é narradora e como narradora acadou notabilidade, para saber máis da autora remitimos a esta ligazón. Agora imos coas súas poesías, que escollemos do seu libro Um buraco com meu nome, co cal se estrea no mundo da poesía convencional. Mais antes de continuar mencionaremos que Jarid contou coa mentoría de Conceição Evaristo, poeta que tamén terá o seu lugar neste noso traballo. Agora si, velaí vai a voz poética de Jarid Arraes, unha das máis interesantes que ofrece o Brasil:

CASA XII

sobre a mesa há uma caixa mística
e nela se encerram segredos
aspirações e ataques traumáticos
seus dedos não
ousariam
abri-la não
com as digitais falhas
oscilantes entre sou isso
e não sou

[nem o céu nem a terra
são indulgentes
com a confusão]

aproxime-se
em silêncio
depois do corpo
lavado
peça permissão

quem sabe sussurro
grito ou canto
quem sabe o encontro
e a queda
da máscara

as coisas pequenas
me importam
porque as grandiosas
estão intactas

as monstruosas imensas
profundas e densas as que
explodem e varrem inteiras
cidades
são coisas que expõem
a pequenez do seu ego
e na minha consciência
racional e gemida
a duras provas e quase
não sobrevivendo
não sinto a urgência
do contato

os cactos por outro lado
os copos as cadeiras e os
cadernos e os pedaços de
carvão as ossadas de frango
assado fazem mais
o meu perfil
advogam por meu caso

mas todas as enormes
palavras as cachoeiras
e tornados todas as mães
e o sangue dos cordeiros
e todas as composições
em nota mais alta e os
pianos e caudas

não são dadas ao toque
e eu não quero tocá-las

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REBENTAÇÃO

há sempre um mar invisível

despejado a conta-gotas

pingando nos olhos de quem sofre


o sal que queima a retina

e as veias

violentas ondas de miséria


só quem sofre

[por amor]

pode saber


as algas presas aos meus cabelos

e o sempre-mar

na ressaca dos meus olhos

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NUNC OBDURAT ET TUNC CURAT

1439 lugares
e eu era a única negra

há espíritos fortes que falam
de racismo
enquanto assistem carmina burana

[eu quebro]

o primeiro ato
é o roubo

quero escrever coisas outras
pássaros vaginas janelas o clima
as lentes o detergente

roubaram de mim
de você desse lápis
desse teclado
a escrita da poesia qualquer

enquanto o cérebro
escurta o circuito
a medicação tropeça
enquanto sou como todas
as outras poetas

fui roubada

quero sofrer como todos
os loucos
e das palavras que surtam
peneirar
a estética

mas se atente
ao movimento
dos furtos clássicos
históricos e afinados

entre todas essas que versam
um papel me foi restado

quantas negras eu questiono
o que escrevem
essas negras

o primeiro ato
é sempre um trato

assinei esse papel
de única e exceção
e agora minhas frases
são fronteiriças

e beatriz eu só queria
escrever sobre as paredes
os olhares e as cadeiras
os baralhos os abismos

1439 lugares
e eu era a única negra

eu deveria estar feliz
porque ocupei esse espaço
montei essa ocupação
solitária
de uma bandeira
parda

[eu quebrei
em mil pedaços]

eu deveria estar feliz
mas beatriz eu só queria
escolher uma poesia
beatriz eu só queria

como todas as poetas
as negras também
surtam

mas o primeiro
ato
é sempre uma
pergunta

onde estão as
negras
onde estão
as negras

[onde estão as negras]

(Este poema está dedicado a Beatriz Nascimento, poeta que tamén aparecerá neste noso traballo)

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TRILOGIA

a primeira vez teve gosto de sukita
as bolhas saindo pelo nariz
afogando a foça de reação
transformando um corpo infantil
em corpo estático
em pedra-pomes
os buracos juntando sujeira

ele despejou em mim
todo o lixo do umbigo aos joelhos
despejou em mim
o riso culpado de quem sabia
porque ele sabia

a segunda vez teve gosto de urina
cheiro de mijo debaixo do sol
molhando a terra e evaporando
marcando o território pátrio
o líquido da madrugada
os copos plásticos de vinho tinto
vinho barato de dois reais
dois litros de mijo na boca

ele despejou em mim
porque ele sabia

mas a terceira vez não teve gosto
minha língua despapilada
observava incrédula
era o suor dos apóstolos o púlpito
e o espetáculo das ordens
e regras

ele despejou em mim
enfeitado de gravata
concreto em sua qualidade
de santo

mas ele soube
que eu também sabia

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PREPARO

escrevo cada letra
como pílulas tarja-preta
que não engoli

uma a uma
como feijões catados na bacia
reproduzindo os dedos ágeis
que minha avó possuía

pego as palavras formadas
prozac
⠀⠀rivotril
⠀⠀⠀⠀azepam
⠀⠀⠀⠀⠀⠀oxetina

e ouço o pingado agudo
que minha avó também
ouvia

pec pec
os feijões bons dos ruins
numa água fria
de torneira

quanto tempo deve-se
cozinhar
um suicídio
antes de comê-lo?

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CINTO DE COURO

a silheta paterna assombra
os sonhos
na penumbra das metáforas
nas figuras de linguagem
na literalidade das surras
das pernas bêbadas
nas mães chorosas
roxas

a figura do pai marca a filha
que marca o filho que marca
a filha e depois a menina
numa cadeia de gritos
ameaças quartos como
masmorras
impedimentos
iniciados na figura do pênis
do cajado que o pai
sacudiu
ordenando

ah minha pequena menina
seus olhos estafados me dizem tanto
a rejeição do pai
o zelo do pai
o controle do pai
o medo o pavor a admiração
a necessidade de aprovação
o esforço contínuo de menina
pobre menina minha

eu me tornei também a continuação
da figura paterna
das oscilações
ora o coração cheio
ora o diminuto corpo rangendo
uma escalada de desconhecimento
seria amor seria ódio
a filha minha pequena garota
que teme todo o desejo ardente
de matá-lo
o pai

eu sei
minha menina
enxergo esse nó
mas não posso desatá-lo
sou também o fruto do pai
da mãe ao chão
da mãe que vestiu calças
foi porta afora
ser figurativa

que pena que não pudemos
escapar
mas tenho boas-novas
não agora mas um dia
o prenúncio os ecos
dos gritos graves
tudo isso virará escolha
em minhas garras

desenharei a linha divisória
nesse chão
daqui

daqui ele não passa

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DESEJO UM MUNDO

desejo um mundo em que

seja fácil

ser só

em que os porteiros

não deem bom-dia

boa-tarde

não me olhem

boa-noite

um mundo em que

a farmácia

seja um de cada vez

sem os toques

dos corredores

sem o deseja a revista

apoiar as crianças

o câncer

moedinhas aqui

já tem cadastro

fidelidade senhora

sem tempo para

sorrir sem

graça

não

obrigada

desejo um mundo vazio

de amenidades

feito de explosões

terremotos

tufos de cabelo

terra nos olhos

um mundo

desmesurado

todo mato

algumas cabras

latas vazias

um mundo sem frutas

sem matérias

reportagens

sobre colesterol

glicose

taquicardia

desejo um mundo

sem filosofia

animalesco

cheio de pelos

as garras afiadas

visão noturna

instinto

de fuga

desejo um mundo

do qual eu possa

fugir

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MEIO DO CÉU

conclamamos os astrólogos
as tarólogas ofertamos nossas
patas à leitura e sobramos na
borra do café porque somos
os únicos bichos preocupados
com o futuro

no entanto
saturno
pode ser apenas pedra
e júpiter pedra
e urano e mercúrio e marte
também a mais pura e
gravitacional rocha
os oceanos sofrem a influência
da lua porém nossos corpos
comportam marés bravias
e o universo não tem assunto
com isso

somos menos que o grão moído
nada nutrimos e causamos
apenas vícios
somos menos que uma concha quebrada
porque o papel da concha
não é adivinhar o porvir
mas se pisada e partida e se nenhuma
metáfora de vida puder ser encontrada
a concha existe e nada espera
porque isso se basta

mas nós aguardamos
balançamos as pernas
queremos compreender
escritos
sobre a casa 2 e vênus
em peixes
queremos o carisma dos melhores
signos e a capacidade de vingança
dos animais peçonhentos

temos a identidade
fragmentada
por mitos
por estrelas que morrem paralelas

buscamos as cartas
as runas búzios moedas as linhas
das palmas os exames caseiros de gravidez
as revistas do joão bidu
queremos o futuro entregue
mas não qualquer presságio

somos ingratos com o acaso
brincamos com a envergadura da nossa força
inutilizada pela ânsia
pelos corações apressados batendo tambores
lendo papéis pelas ruas
esperando pelo amor que seja devolvido
contando os dias a partir da palavra
da mais teatral
feiticeira
do mais serpentino pastor

cortamos nossas raízes e estamos perdidos
acreditamos no contrário
traçamos conjunções e plutônicos
dizemos que somos os mesmos que
todos os outros milhões
de antepassados

mas veja bem
talvez sejamos
talvez não estejamos
tão escandalosamente
errados
estamos mesmo
com o futuro
todos muito
preocupados

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ASAS

feito gato
atiçado
por todo meneio
rápido
eu também sou
atraída
pelos insetos
que se atiram
contra a luz

essa é a utilidade
e o fim
das asas

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Poden vostedes ler máis poesías de Jarid Arraes nesta ligazón (http://jaridarraes.com/tag/jarid-arraes-poesia/page/2/)

Agora imos cun cordel, xénero no que ela é especialista ( conta con cordéis biográficos, outros que son lendas, infantís, sobre cuestións de xénero, sobre cuestións raciais ou LGBT), unha voz de muller, de muller negra, para máis, nun rexistro poético dominado polos homes:

O CORDEL DA AMIZADE

Como duas mãos se tocam
No encaixe do momento
Chega a parecer destino
Um tamanho sentimento
De uma pessoa aqui
Que encontra outra ali
Sentindo pertencimento.

Os olhos da amizade
Descortinam muito além
Que só na sinceridade
Sabe lhe enxergar também
O amigo que te ama
Nunca que ele te engana
Nem te entrega pra ninguém.

Não se faz de esquecida
A memória da amizade
Sobre as linhas tracejadas
Que separam as cidades
Seja numa tela escrita
Ou na lágrima escorrida
Inda vive uma saudade.

Se o céu cair inteiro
Tudo sendo escuridão
E o joelho fraquejar
Temeroso do trovão
Eu te digo o que persiste
E em encorajar insiste:
O amigo em prontidão.

Amizade é coisa linda
Pode vir de toda forma
Não conhece preconceito
Ao chamado não demora
Não se cala na defesa
Mesmo que não saia ilesa
Regenera, se transforma.

É feroz, é bem mansinha
Maternal e protetora
Chama pra beber cerveja
Colorida e instrutora
A beleza da amizade
Está na diversidade
Disso é uma escritora

No entanto, escute bem
O que mais é relevante
Que você jamais esqueça
De quem é mais importante
O maior, melhor amigo
É o que já está contigo:
Do teu peito é habitante

CORDEL DA MENINA QUE NÃO QUERIA SER PRINCESA

Era uma vez uma menina
Dotada de esperteza
Nascida lá no sertão
Batizada de Tereza
Era muito da danada
Arretada de brabeza.

Ela muito curiosa
Gostava de aventura
Carregava bela fama
De fazer muita loucura
Não fazia nove horas
E na queda ela era dura.

Acontece que Tereza
Não era aquela biboca
O povo que exagerava
E gostava de fofoca
Da vida dela cuidava
Feito mimada dondoca.

As carolas da igreja
Só faziam cochichar
Da menina espevitada
Que vivia a badernar
Queriam Tereza quieta
Ajoelhada pra rezar.

Foi que a mãe aperreada
Teve então uma clareza
Mandou trazer um livro
Com história de princesa
Segura do seu sucesso
Deu o livro pra Tereza.

A menina interessada
Logo se botou a ler
Subia e descia o olho
Mas não podia entender
A princesa era frouxa
E nada sabia fazer.

Por causa daquele traje
A princesa não pulava
Passava o dia cantando
E por tudo se acanhava
Não era como Tereza
Que só mais se enjoava.

O livro era bem grosso
Mas nada se assucedia
Tereza se entediava
Virava-se e remexia
Até que parou de ler
Sufocada de agonia.

Mas o pai ficou nervoso
Chamou Tereza de lado
Ameaçou com castigo
Disse estar desapontado
Tanto gritou e berrou
Que acabou muito cansado.

A menina era teimosa
Escapulia na janela
Queria correr na rua
Não brincava de panela
Só queria usar bermuda
Mais no pé uma chinela.

As amigas de Tereza
Todas gostavam de rosa
Era a onda de princesa
De ser loira e ser formosa
Mas essa coisa de Barbie
Ela achava era horrorosa.

Muita frescura enjoada
Muita regra e etiqueta
Tereza era muito ativa
Brincava de carrapeta
Bola de gude, futebol
Patins, terra e luneta.

Só que essa liberdade
Muito em breve ia acabar
Pois trouxeram um cadeado
Para a porta então trancar
Tinha até corrente e chave
Sem chance de se escapar.

Tereza tentou fugir
Mas o pai a segurou
Apertou bem o seu braço
No quarto a trancafiou
Ia da escola pra casa
E bastante ela chorou.

Mas depois de oito meses
Sua mãe foi percebendo
Que a menina estava mal
Amarela e esmorecendo
A culpa bateu bem forte
E ela foi se arrependendo.

Ela viu que tava errada
Essa história de prender
Criança tinha energia
E merecia então crescer
Com bastante liberdade
E com vontade de viver.

Se tem menina princesa
Que gosta muito de rosa
Tem também a danadinha
E que é muito geniosa
Tereza era só um tipo
De garota talentosa.

Conversou com o marido
E impôs sua conclusão
Tinha mudado de ideia
Não aceitaria “não”
Pois estava decidida
Com uma forte opinião.

Foram contar pra Tereza
Que tudo podia fazer
Rolar, pular e dançar
Escalar, cair e correr
E se gostasse de princesa
Isso também podia ser.

A menina deu um pinote
Correu pra pegar a bola
Era feliz dia e noite
Fosse em casa ou na escola
Era alegre o tempo todo
De bermuda ou camisola.

O tempo foi se passando
E Tereza foi crescendo
Cada vez mais entendida
Do que tava acontecendo
Gostava de brincadeira
Mas ia sempre aprendendo.

As amiguinhas adoravam
Esse jeitinho de Tereza
Ela respeitava a todas
E tinha muita esperteza
Na hora que explicava
Que nem tudo era beleza.

Tudo bem gostar de Barbie
De casinha e vestidinho
Mas a vida é muito mais
Que ter tudo bonitinho
Garotas que não precisam
De esperar principezinho.

As carolas da cidade
Que fossem se conformar
Tereza tava bem livre
E pronta pra sapecar
Não tinha gente capaz
De a menina embonecar.

Pois ao papai e à mamãe
Eu peço muita atenção
Que criem meninas livres
De todo tipo de opressão
Que sejam o que quiserem
Cheias de amor no coração.

Pois é muito importante
Ensinar independência
Que sejam bastante fortes
Cheias de resiliência
E com a cabeça feita
Dotadas de competência.

Assim como livre fui
Livre todas devem ser
Aprendendo desde cedo
A sempre desenvolver
Um caráter pertinente
Que saiba se defender.

Meninas são liberdade
São força e revolução
Usam sua inteligência
Com muita imaginação
Sempre com muita coragem
E muita dedicação.

Ser menina não é ruim
E não pode ser castigo
Se ainda lhe restar queixa
Venha se entender comigo
Pois afirmo com certeza
Pra amigo e pra inimigo.

CORDEL “ABORTO”

Quero usar minha poesia
Pra falar de algo forte
De um problema social
Que já causa muita morte
Condenando as mulheres
E roubando-lhes a sorte.

É o aborto clandestino
Feito na ilegalidade
Na sujeira e no terror
Na vulnerabilidade
Respaldado por machismo
E por religiosidade.

O aborto é proibido
Com três casos de exceção
Se causar algum perigo
Não se faz objeção
Se tiver risco de morte
E do feto malformação.

Também é legalizado
Se o estupro acontecer
A mulher pode abortar
Se assim ela escolher
Pois bebê da violência
Não é obrigada a ter.

E o caso mais recente
É o de anencefalia
Que há pouco liberado
Deu-se numa agonia
Mas no fim legalizou-se
Para a nossa alegria.

São apenas nesses casos
Que a mulher pode abortar
Se rolar um acidente
Ninguém poderá ajudar
Se quiser ficar tranquila
Não invente de embuchar.

No entanto, minha gente
Não se consegue impedir
Se a mulher engravidar
Não querendo mais parir
Se ela escolher abortar
Essa lei vai descumprir.

A mulher desesperada
Procurando a solução
No aborto clandestino
Vai buscar sua opção
Mesmo sendo perigoso
Faz-se a interrupção.

Sem ajuda, sem auxílio
Ela faz tudo escondido
Usa chá e usa cabide
E um remédio desmedido
Vai sofrer com sangramento
E ventre comprometido.

Corre então ao hospital
Vendo seu sangue escorrer
Sufocada de vergonha
E com medo de morrer
E ainda tem é sorte
Se puder sobreviver.

Muitas vezes denunciam
Pois não sentem piedade
Acham que ela tem culpa
Fazendo uma crueldade
Sobra muita hipocrisia
Nessa vil sociedade.

Estatísticas não mentem:
Sofre mais a pobre, a preta
Já que o dinheiro oferece
Pro aborto uma faceta
Que é pagar nas escondidas
Noutro lugar do planeta.

Peço então sua atenção
Tente enfim compreender
Que o aborto ilegal
Só condena a morrer
A mulher entristecida
Sem saber o que fazer.

Não se deve legislar
Com base em religião
Pois a fé é relativa
E questão de opinião
Então para argumentar
Deve-se usar a razão.

Quem achar que é pecado
Pode livre assim pensar
É só não fazer o aborto
Seus princípios preservar
Afinal, é sua escolha
E ninguém pode forçar.

Mas o mesmo também vale
Para quem não vê problema
Abortar é uma escolha
É privado esse dilema
Ninguém pode impedir
Nem impor algum sistema.

O governo e o estado
Laicos sempre devem ser
Pois assim se assegura
Liberdade para crer
E pra não ter fé alguma
Cada um que vai saber.

De um jeito parecido
É o corpo da mulher
Que pertence só a ela
Pra fazer o que quiser
Ela escolhe como agir
E ninguém mete a colher.

Vários países do mundo
Decidiram então mudar:
O aborto é permitido
Para quem o desejar
Com apoio e segurança
Pra mulher auxiliar.

Onde o aborto é legal
Há muito mais igualdade
As mulheres já não morrem
Pela clandestinidade
Com amparo e acolhimento
Elas têm mais liberdade.

As mulheres não merecem
Viver nesse sofrimento
É por isso que lutamos
Fazendo esse movimento
Pela vida das mulheres
E seu desenvolvimento.

A maternidade é livre
Pra mulher que a desejar
Se assim for decidido
Se assim ela almejar
Ninguém pode isso impedir
Ninguém pode isso obrigar.

Gravidez não é castigo
E não deve ser imposta
Direitos reprodutivos
É do que a gente gosta
Educar pra prevenção
É parte dessa proposta.

Que os jovens já aprendam
Toda forma de cuidado
Camisinha e comprimido
Dum jeitinho adequado
E pra caso de emergência
O socorro bem prestado.

Ouça bem meus argumentos
E sem falso moralismo
Reconheça que mudando
Há mais chance de otimismo
Se disponha a estudar
Também sobre o Feminismo.

No Brasil a gente luta
Por mudanças importantes
Para todas as mulheres
Não apenas as gestantes
É na união das forças
Que seremos exultantes.

Eu também tenho certeza
Que você já ouviu falar
De alguém que abortou
Por questão de precisar
Não se trata de maldade
Mas sim de necessitar.

Dê um jeito na preguiça
E se ponha a pesquisar
Argumento tem de monte
Para assim te explicar
Que legalizar o aborto
Nada vai prejudicar.

É direito das mulheres
Por direito de viver
Liberdade de escolha
Para se fortalecer
Que a força feminina
Possa então prevalecer.

CHICA GOSTA É DE MULHER

Tem história nesse mundo
Que contar é obrigatório
Porque toca lá no fundo
E resulta em falatório
Como um fato oriundo
De longíquo território.

Bem numa cidadezinha
Pequenina e isolada
Existia uma menina
Muito da desenrolada
Era sapeca e malina
Doida de espivitada.

Chica era o nome dela
Tão bonita de doer
Só que nunca dava trela
Pra moleque aparecer
Sendo muito tagarela
Já partia a responder.

Quanto mais ela crescia
Mais se desinteressava
Com orgulho ela dizia
Que namoro não visava
Nenhum homem que existia
Para Chica ele prestava.

Como amigos tudo bem
Era bom se divertir
Mas se o papo ia além
Chica mandava partir
Não gostava de nhenhém
De chamego ou tititi.

Na cidade se espalhou
Um rumor de confusão
Pois de Chica se falou
Que ela era sapatão
Pois garoto não beijou
Nem quis dar um apertão.

Então Chica se assustou
E ficou sem entender
Refletiu, muito pensou
E findou a se morder
Porque bem se analisou
E por fim chegou a ver.

O que o povo repetia
Era muito verdadeiro
Chica então compreendia
Porque todo o desespero
Pois sua mãe desfalecia
Com tanto do enredeiro.

De rapazes não gostava
Mas achava interessante
Que as mulheres desejava
Dum jeito forte pulsante
E ela tudo imaginava
Com um fogo incessante.

Na real já percebia
Desde que era criança
Que se enchia de alegria
De amor e de esperança
Quando uma amiga sorria
Já lhe tendo confiança.

Foi parando pra pensar
Numa amiga das antigas
Que chamava pra dançar
Sem nunca sentir fadiga
Pois pra ela iria olhar
E sentir frio na barriga.

Mas havia um problema
Bem difícil de enfrentar
Um danado dum dilema
Todo dia a perturbar
Era o bruto do sistema
Que ia a Chica condenar.

Naquela sociedade
Era homem com mulher
Sem nenhuma novidade
Sem melzinho na colher
Escolher felicidade
Nem se muito se quiser.

O povo já se juntava
Prum ataque planejar
De raiva se espumava
A gritar e a xingar
Só faltava balaclava
Pra merda consolidar.

Foram juntos caminhando
Para Chica encurralar
Com o ódio fervilhando
Pra bater e pra matar
Quando a casa foi chegando
Se puseram a atacar.

Era tanta da corrente
Tinha até tocha de fogo
Uma multidão furente
Que não aceitava o novo
Mas a Chica imponente
Saiu pra falar cum povo.

A massa ficou surpresa
Com a tamanha valentia
Assustada com a brabeza
Nem um pio mais se ouvia
Chica cheia de certeza
Falou tudo o que queria.

Ela não se importava
Se gritavam “sapatão!”
Ela muito acreditava
Na grande revolução
Que só o amor causava
Preenchendo o coração.

E ainda disse além
Que já tinha namorada
Já estava com alguém
Louca de apaixonada
E não tinha seu ninguém
Que lhe desse carteirada.

De mulher ela gostava
Todos tinham que aceitar
Se a mãe se incomodava
Que também fosse mudar
Pois amor não se acaba
Só pra gente não falar.

Chamou sua companheira
Que era filha do prefeito
Deu-se uma bandalheira
Confusão de um tal jeito
No meio da barulheira
Escutou-se o sujeito.

Defendendo a sua cria
O prefeito então falou
Que no fundo já sabia
Disso nunca duvidou
E na vil patifaria
Um fim logo decretou.

O povo ficou perdido
Sem saber o que falar
Logo muito aturdido
Para casa foi voltar
Emburrado e remordido
Sem coragem de gritar.

Mas não pense que acabou
Todo o ódio da cidade
Só porque se aquietou
A pior barbaridade
Chica muito que lutou
Para ensinar igualdade.

Mas sua mãe já entendia
Até mesmo se informava
Se encheu de ousadia
E ao povo ela ensinava
Que aquela rebeldia
Muita coisa conquistava.

Pouco a pouco foi mudando
A mente de muita gente
Chica sempre acreditando
Num mundo bem diferente
Sempre amando e batalhando
Se anda sempre pra frente.

Como a Chica existe um monte
De mulher que mulher ama
Como inesgotável fonte
De amor com forte chama
Puro sentimento insonte
Que por igualdade clama.

Conto isso com razão
Para a todos explicar
Que a sincera atração
Não se pode aprisionar
Parem essa amolação
De a tudo controlar.

Que toda Chica da Terra
Se assuma com valentia
Pois ódio só se encerra
Lutando com maestria
Acaba-se logo a guerra
E planta-se a empatia.

……………………………………………………………………….

Este artigo quero dedicalo Á MOZA QUE COMÍA MAZÁS coa que, ás veces, visitaba o paradiso.

As cousas pasan así. Vas unha mañá á secretaría da facultade rsolver un asunto, e por pura casualidade, porque confundes con outra persoa, coñeces unha persoas que será fundamental na túa vida. Empatizamos axiña. A súa alegría vital sacoume daquel pozo sen fondo que supuxo para min a morte de Ana, sobre todo no último ano. Vivimos xuntos momentos extraordinarios, con ela todo era extraordinario. Agardo que sexa moi, moi feliz. Non merece menos.


crítica de TERRA NULLIUS, de Alberte Momán Noval, en MEditora

VIOLENCIA ESTRUTURAL DE TODOS OS DÍAS

Título: Terra nullius

Autor: Alberte Momán Noval

Editorial: MEditora

O concepto de “terra nullius” foi usado durante moito tempo para dar a entender que unha terra non tiña dono e podía ser reclamada como propiedade. Unha terra de ninguén. Mais tamén, e seguimos a información editorial da contracapa, pode ser usado co significado de “terra queimada”. Sempre aplicando este termo á xente, pois a xente e as súas condicións de vida son o grande obxectivo desta novela breve, novela breve e en formato editorial pequeno, o que a fai máis singular. Porén volvamos ao rego, a preocupación polas xentes a as súas condicións de vida, que, por outro lado, vén sendo o grande tema da literatura de Alberte Momán, e aquí volve amosarse como tal. O cal non quere dicir que sexa unha lectura xa feita. Nin moito menos e precisamente ao contrario, conservará o grande tema do autor, porén é unha manifestación máis que contribúe a erguer o corpus literario do autor, a darnos unha imaxe máis fiel e completa do drama humano.

                     Porque a vida da xente é sempre un drama, unha “terra nullius” que reclamar para así mellorar as condicións vitais. Na novela, o  protagonismo é fundamentalmente feminino, aínda que a segunda parte comeza cun masculino, xa preto do final. Non lles desvelarei a trama, limitareime simplemente a comentala. Por exemplo comentareilles a despersonalización inherente a ela e unha consecuencia máis dunha sociedade na que custa manter a personalidade, na que custa ser alguén e manter esa identidade propia fronte aos demais. Se se pensa ben non é nada novo, a Modernidade leva advertindo dos seus excesos desde o principio, lembremos por exemplo As viaxes de Gulliver (1726, Jonathan Swift) e moi particularmente desde que o capitalismo irrompe facéndose dono das horas e dos días da xente, impoñendo unha maneira de vivir, un xeito de entender a vida mediante o cal se perpetúa á vez que subxuga ás persoas, e permítanme que aquí non dea títulos pois moitas son as novelas que disto nos advirten, se tal só lembrarlles o Ferrín de Arrabaldo do Norte (1964) por poñer un exemplo dunha temática na cal se sitúa tamén esta Terra nullius.

                     E se antes lles mencionei a despersonalización (nótase por exemplo na anonimia das personaxes) non se pode deixar de indicar que na trama da novela non acontece nada extraordinario ou diferente da vida habitual das persoas. Se tal comentareilles a procura de satisfacción vital a través do sexo. Porén, e aínda as personaxes comportándose con amabilidade unhas con outras, iso non abonda para que non sexan vítimas da violencia estrutural que paira sobre tod@s todos os días. Pode exemplificar isto moi ben a situación laboral da protagonista, nunha idade na cal os movementos na empresa na que traballa van supoñer que teña que aceptar solucións laborais por debaixo da cualificación que realmente ela posúe. É un exemplo. Mais, desde a climatoloxía (sempre condicionate e nunca coadxuvante) á propia soidade individual, a vida das persoas é unha “terra quimada”, un espazo desértico que o propio decorrer dos días nesta sociedade occidental condicionou, un espazo estéril, unha experiencia desagradábel e negativa contra a que, se se loita, non é doado acadar bons resultados.

                     Nas mesma información editorial menciónanse os Eugènes e Mortimers de Lean Cocteau no seu libro Le Potomak (1919), unha moi particular e intensa novela gráfica onde os sanguinarios e voraces Eugènes devoran aburguesada parella dos Mortimer. Ben, como xa dixemos, á vida burguesa e por suposto capitalista non lle cómpre nada extraordinario para converterse nos Eugènes, da mesma maneira que ás personaxes tampouco lles cómpre nada do outro xoves para seren os Mortimer, as criaturas sacrificadas, as vítimas.

                     Porque a vida é así. Ou polo menos a vida que nos toca vivir aos occidentais burgueses, como moeda de cambio dun capitalismo atroz fóra do cal xa parece que non somos quen de vivir. Lémbrese ese concepto do “estado de benestar”, que semella un obxectivo irrenunciábel e humano ( lonxe do cal viven as personaxes desta novela breve) e que, porén, non é máis que a institucionalización mental do capitalismo como única opción posíbel.

                     Eis unha novela breve que non custa traballo ler, e que resulta unha advertencia que non debemos deixar pasar.

ASDO.: Xosé M. Eyré.

crítica de A MAXIA DA AUGA, de Afonso Eiré, en Hércules de Ediciones.

TERRRITORIO DA LENDA

Título: A maxia da auga

Autor: Afonso Eiré

Editorial: Hércules de Ediciones

Permítanme que comece relatándolles unha lenda familiar, porque ma contou a miña avoa Xesusa cando eu tiña uns 4 ou 5 anos. O conto é que cando ela era moza, a festas tiñan lugar pola tarde e remataban co solpor, para que quedara tempo de volver para a casa con luz. Dicía a miña avoa que, cando ían á festa a San Paio ( a parroquia veciña), ao volver para a casa tiñan que atravesar un regato, que non é moi grande pero hai que saber onde se salta para non caer na auga. Ese regato transcorre ao pé dun castro, engado eu agora. E, seica, cando volvían que xa non se vía ben, aparecía da nada unha muller e preguntáballes: “Queredes luz para pasar?” Se dicían que non, non pasaba nada, a vella daba volta e marchaba. Mais se dicían que si, entón a vella abría a man e en cada dedo parecía unha candea que daba luz. Eles buscaban onde saltar, pasaban e marchaban para casa. A vella desaparecía cando eles estaban do outro lado. O mellor de todo é que miña avoa dicía que lle pasara a ela, e a ver quen é o neto que desconfía do que lle conta a súa a avoa…

                     Este comezo é para que se entenda ben a posición en que eu me atopo á hora de falar do último libro de Afonso Eiré, que trata diso, de lendas relacionadas coa auga. Mais non só pretendo iso senón tamén demostrar que as lendas, por moi fantásticas e terroríficas que poidan parecer, por moito que existan pola sinxela razón de que a certas cousas hai que lles ter respecto, e que hai outras que nos advirten de posíbeis perigos para nós. Malia todo iso, na lenda que me contaba a miña avoa non había nada de “malo”, nin ningunha advertencia. A vella, se lle dicían que non, simplemente marchaba e máis nada. Entendo eu que esta lenda o único que pretende é achnazarnos o camiño para crer no marabilloso, pois o marabilloso, porr moito que digan que despois da chegada da luz eléctrica desapareceu ,e agora se fale de “lendas urbanas”, o marabilloso sempre seguirá existindo, porque temos esa capacidade como seres humanos e enriquece a nosa vida, na miña opinión.

                     Precisamente no primeiro dos relatos, Afonso Eiré trata o tema da Estadea, da Compaña, e non da “Santa” Compaña, porque o de “Santa” só foi unha tentativa de cristianizar un relato pagán. E teño para min que aínda que se esforzaron moito na “cristianización”, non sempre o conseguiron e aínda nas lendas se poden atopar moitos relatos pagáns, que son menos comminatorios que os cristiáns, ou, polo menos, non amezan a vida das persoas co inferno, coma a “Santa Compaña”, ou a morte. Porque o certo é que a relixión cristiá procurou atemorizar a entristecer a vida das persoas, sempre. E vaia se o conseguiu, pénsese por exemplo nas carpideiras…

                     Noutro relato ( “A fonte do Esquecemento”) detense noutra lenda cristianizada, a da fonte da Virxe do Faro, unha fonte que seica bota auga milagreira e, polo si ou polo non, nas festividades correspondentes ( 15 de agosto, para os emigrantes; e 8 e 9 se setembro para os demais) é multitude de xente a que leva botellas de auga para a casa. Mais o certo é que neste relato fálase de máis fontes, porque no Faro hai máis e de bastante sona, sendo unha delas a do esquecemento e enlazándoa coa lenda de San Brandán, para terminar concluíndo que tradición e razón non están enfrontadas. Noutros relatos volve aparecer o factor relixioso relacionado coas lendas. Como pode ser o caso d´”os medos” de Pesqueiras, pois aquí é a igrexa de Pesqueiras o obxectivo ou lugar onde teñen lugar sucesos dificilmente explicábeis: “os medos”.

                     Como Afonso Eiré sitúa estas lendas que teñen que ver coa auga nas terras de Chantada, tamén puido falar dos “medos” de Salgueiros ( onde se celebraba a festa patronal), mais se cadra el non estaba presente cando o Amancio nolo contou precisamente nunha matamza, na matanza do Xavier… Porque á hora de escribir o libro, por forza o Afonso tivo que seleccionar, pois é moi grande o número de lendas que, nas terras de Chantada, teñen que ver coa auga. E, nesa selección quixo incluír un relato, “O pozo de Belesar” que parte dun feito real, como foi a desaparición dun home alí, en Belesar. Na miña opinión é o mellor relato do libro, non lle falta retranca, humor, e demostra que as vellas tradicións, as vellas lendas, moitas veces son máis útiles cós máis modernos medios técnicos. Porque precisamente esas vellas tradicións, o que transmiten é o coñecemento do río Miño. Mais as pozas ou pozos aparecen tamén noutros relatos como lugares aos que un non debe achegarse e moito menos bañarse, como relatos de prevención.

                     As xacias son un dos seres mitolóxicos relacionados coa auga que non podían deixar de aparecer. E a lenda que conta é para min ben coñecida. O que si é unha mágoa é que tamén puido contar como cando Fraga veu a Chantada inaugurar a piscina, e houbo protestas, a xuíza interrogou a todos os sospeitosos de facer as pintadas contra o vello facha. Un deles, que agora fai de Apalpador no seu tempo e convencido activista a prol da natureza, respondeulle á xuíza: “Serían as xacias”. Meu dito, meu feito: ao día seguinte ditouse orde de “busca a captura” contra as xacias. Dá para rir, mais foi certo, está nas páxinas dos xornais.

                     E tamén hai outro “A casa do Alcalde”, que se move entre a desmitificación e o respecto máis absoluto, para o cal bota man de datos históricos. Porén, non teman, non lles vou desvelar máis dos oito relatos que compoñen o  libro, non lles vou estragar a lectura. Simplemente quero engadir que a escrita do Afonso é moi directa, conta as cousas polo dereito e sen enfeites, de xeito que ben se puidera falar de influencia do relato xornalístico, que prescinde de todo o que non sexa “imprescindíbel”. Aínda que os mellores resultado obtenos precisamente cando  o relato literario se impón ao xornalístico.

                     Eis un novo libro do Afonso Eiré, sempre con esa lingua vizosa e empreñada da terra, que outros desbotarían porque son palabras pouco coñecidas, mais que el respecta  e utiliza sen por iso perder lectores. Todo o contrario, o Afonso logra que lean os seus libros xentes que nunca antes leran un libro ou poucas veces o fixeran. E non hai mérito máis grande.

O libro é tamén unha maneira de rescatar o cheos de vida e rapazada que había antes en lugares como Riopedroso, e onde hoxe só habita o silencio e algunhas persoas maiores que se negaron a abandonar o seu lugar de toda a vida. Cheos de vida, de rapazada, e cunhas maneiras de vivir e pasar o tempo sen tanta tecnoloxía nin televisón…pero moito máis divertidas e con máis lugar para a imaxinación.

ASDO.: Xosé M. Eyré.

ALZIRA RUFINO, a poeta feminegra do Brasil

Como contribución a un día tan especial como hoxe, 8M, vou dar inicio a unha actividade de divulgación de 12 poetas brasileiras negras.

Por que literatura do Brasil? Porque se as relacións Galiza-Portugal son como son, malia as inicitaivas que se están levando a cabo, as relacións co Brasil son sinxelamente inxexistentes par alén dalgún caso particular que poida haber e eu decoñeza. E moita culpa é galega, teño visto Chus Pato nunha revista brasileira (Zunái) pero non vexo divulgación da poesía brasileira na Galiza.

Mooitas veces téñome preguntado como sería a evolución da poesía galega se aló polos ´70 tiveran coñecmento do “Concretismo” brasileiro en lugar de mirar tanto a Europa.

Sinxelamente, o Brasil ten unha gran literatura no século XX, e tamén hoxe, mais non se saben vender tan ben como os arxentinos, por exemplo.

Meses atrás, estas mesmas poetas que vou divulgar, xa o foron nas redes sociais a inicitiva miña, agora pretendo que esa divulgación sexa máis completa.

ALZIRA RUFINO

E se hai que comezar por algunha, o máis xusto seguramente será que comecemos con ALZIRA RUFINO, a poeta feminegra do Brasil. Porén, antes de nada cómpre indicar que a situación da muller en Latinoamérica é moi especial, e alí o feminismo evoluíu moi condicionado. Primeiro condicionado pola situación colonial, despois polo postcolonialismo, e tamén por estar inserida en sociedades que, comparadas coas europeas, son moi conservadoras, moi machistas e que, na miña opinión, subxugan a figura da muller a un papel meramente decorativo, sempre dependentes de “gustar” aos homes, sempre “ao seu servizo”. É a miña opinión, xa sei, pero non creo que me alonxe moito da realidade.

E ser negra aínda engade un plus de dificultade. Porque a loita feminista tamén se viu/ve condicionada por un racismo que a día de hoxe non é unha lembranza. E tamén polo escravismo, claro está. E mái soutra cousa, o analfabetismo entre as mulleres negras é elevadísimo.

Unha vez situado minimamente o contexto da evolución do feminismo, cómpre facelo da actividade das escritoras, das poetas, neste caso, que se enfrontaron ás dificultades expostas anteriormente e, por suposto, tiveron/teñen que loitar nunha sociedade (a brasileira) onde a muller é fortmente dependente.

Así as cousas, o mellor nome para comeza é o de ALZIRA RUFINO ( Santos, 1949). Muller, negra aínda por riba, e activista convencida na loita polos dereitos da muller, e particularmente polos dereitos da muller de orixe africana. Por iso o apelativo de feminegra. Unha muller íntegra, qua nunca afouxou na súa loita e logrou éxitos remarcábeis. E tamén unha poeta moi interesante.

Para quen queira afondar na figura de ALZIRA RUFINO, deixamos esta ligazón , que minimamente nos pon en contacto coa súa loita no marco do Movimento de Mulheres Negras, aquí tan descoñecido. Recomendo moi seriamente a lectura desta ligazón, porque o activismo de Alzira é moi salientábel.

Mais o obxectivo deste artigo é divulgar textos desta autora, sobre todo a poesía. Poeta cun longo percorrido, esta é unha pequena selección do seus poemas na rede, sobre todo do seu último libro, e algúns do anterior.

RESISTO

De onde vem este medo?
sou
sem mistério existo
busco gestos
de parecer
atando os feitos
que me contam
grito
de onde vem
esta vergonha
sobre mim? 

Eu, mulher, negra,

RESISTO.

(Eu, mulher negra, resisto, p. 14.)

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Levante

nêgo chorará não
não chorará não
vão te pôr
para fazer esse chão
sei que teu mundo
é de guerra
nêgo bonito
tu não sabes
que força odara
tu tens de obá
teus pés amarrados
correntes de safado
qué te segurá

(Eu, mulher negra, resisto, p. 20.)

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APARTHEID

Tempo presente gera
negros gera
brancos
e a convivência
com a vida
mistura sono com
luta
os seres fazem a divisão
diferença geográfica
mudam a língua
cultuam a racionalidade
da máquina
repartem a nossa cultura
esquecem nossos líderes
símbolos mortos

nascem negros
formam trincheiras
crescem em sonhos
trocando lágrimas
aventuras guerreiras
loucos que perguntam
o significado das palavras
“é inútil resistir”

 (Eu, mulher negra, resisto, p. 26.)

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Brasil Palmares

Rostos com a imensidão do mar
sem pingos de desespero
negros
não mais fujões
libertam seu nome
recém-nascido
como árvore brotando flores
flores grávidas de frutos
sem cheiro de noite gemida
no peito movimento de força
e o sol fazendo a mistura
com a chama de Zumbi.

(Eu, mulher negra, resisto, p. 43.)

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Eu, mulher negra, resisto

escrita
paixão se revelando
paixão nas mãos

minha face meio pedra
a perda não foi perder

pedras horas mortas 

dor nos olhos
e no cansaço
ternura na minha mão
resiste 

o silêncio que corri
os nomes que escrevi
na pele brusca do medo 

quantas vezes tropecei

(Eu, mulher negra, resisto, p. 70.)

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Ladainha

vamos lá
não pra ver o que é que dá
vamos lá pra virar
não são milhas pra partir
são encruzilhadas
barricadas
pra proteger e curar
essas feridas que sangram
cicatrizes que ficam
marcas que reivindicam
um grito de verdade

(Eu, mulher negra, resisto, p. 85.)

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não

não sei se tirei a couraça
não sei se rolei na cachaça
não sei se curei a ferida
pois não suporto a ausência
quando os outros dizem não
só sei que é violência
essa marca rotulada
essa coisa velada

não
minha vida diz não

(Eu, mulher negra, resisto, p. 87).

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Quizá o poema máis emblemático de Alzira

Sou negra ponto final
Devolvo-me a identidade
Rasgo a minha certidão
Sou negra
Sem reticências
Sem vírgulas sem ausências
Sou negra balacobaco
Sou negra noite cansaço
Sou negra
Ponto final

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CRIOULA

(Alzira Rufino)

Eu sou criola decente

Não sou vil

Estou nas cordas

Em equilíbrio

De um Brasil

A minha cor apavora

Essa raça agride ouvi dizer

Não é nos dentes do negro

Não é no sexo do negro

É na arte do negro

De viver

Melhor dizendo

Sobreviver

Com essa coisa que arrasta

O tronco que tentam esconder

Mas esses troncos existem

No conviver

Os troncos estão nas favelas

Vejo troncos nas vielas

Nas moradias fedidas

Nas peles sem esperança

Nas enxurradas de não

No jogo das damas e reis

Eu me perdi

Nas rotas dos estiletes

Nas celas e nos engodos

Negro carretel de rolo

Querem fazer um mundo

Marginal criolo

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Pra quen queira afondar na poesía de ALzira Rufino, este artigo de Zélia Maria de N. Neves Vaz, é moi interesante.

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Quero dedicar esta serie de artigos que comeza hoxe ás mulleres que teñen presenci ano meu corazón. Comezando por ANA, que morreu porque quería estar comigo. Maldita curva. Maldito accidente. Eramos moi novos.18 anos. Nunca asimilei a súa desaparición, nin o farei. Relémbroa a miúdo. Nunca falamos de amor, pero está implícito na vontade mútua de estramos xuntos. Sei que coñecerme foi algo moi positivo na súa vida. E tamén o foi para min coñecer a ANA, pouco faladora, pero sabía facer compañía coma ninguén.

IN MEMORIAM SEMPRE

crítica de O LIBRO DA FILLA, de Inma López Silva, en Galaxia.

UNHA NOVELA BRUTAL, BRUTALMENTE ESIXENTE

Título: O libro da filla

Autora: Inma López Silva

Editorial: Galaxia

Han de perdoar que non se me ocorrera un tútulo máis brillante, mais é que, despois de ler a nova novela de Inma López Silva, aínda impactado pola dureza da lectura, da miña cabeza non sae outra cousa máis que que é unha novela brutal. Desas que te sacoden moi desde o interior, te abanean e che deixan unha marca indelébel na mente.

                     Ben. Vaiamos por partes e comecemos dicindo que temos cousas boas e moi boas que dicir desta novela, e tamén cousas malas, que non nos gustaron nada.

                     De primeiras, a trama preséntanos o caso dun home condenado por violar unha filla súa e que mantén que é inocente. Helena Sánchez, unha xornalista recoñecida, comeza a investigar sobre o caso. Sobre un caso que repercutirá fondamente na súa vida, na súa vida e na da súa familia. E todo isto nun contexto moi especial, non quixeramos dicir o de “moi especial”, porque debería ser normal, mais o caso é que non o é. Referímonos á auxe da extrema dereita, do fascismo, na sociedade actual. Neste senso, a novela de Inma López Silva aposta por un realismo total que non implica calar a cerca da auxe do fascismo nos días de hoxe. E é por iso unha novela valente, valente, que nin cala iso nin casos de corrupción política ben coñecidos mais que non aparecen moito polas letras galegas: falamos da implantación de celulosas e da corrupcón política e mafiosa que implican; dos ERES, das farmacéuticas, da especulacións inmobiliarias, da especulación forestal e a queima de montes, dos “avogados cristiáns” e a súa teima integrista…e da ultradereita, da ultradereita e o seu comportamento mafioso, tipicamente mafioso -porque todas estas denuncias non son alleas ao mundo político. Só por esa valentía, a novela xa merece ser recoñecida e moi singularizada porque o contexto en que nace (onde as ficcións parece que nunca afondan na realidade do día a día, iso é o máis habitual) a singulariza fortemente. É, pois, unha novela moi valente que aposta por un realismo ben informado, ou polo menos atento ao que sucede na política e na sociedade dos nosos días.

                     Ben, mais cando dicimos que é unha novela valente aínda queremos ir máis alá. É certo que na novela se reflexiona sobre como contar mellor unha historia, se desde o xornalismo comprometido ( e non deberiamos usar esta palabra, mais a realidade amósanos que o máis habitual é un xornalismo que inventa a realidade que máis lle convén ou menos incomoda ao poder) ou desde a ficción. De feito non son poucos os xornalistas que botan/botaron man da ficción para contar verdades que o seu oficio se cadra non lles permitiría. Creo que non cómpre dicir nomes, se lembramos que habería que comezar co mesmísimo Manuel Rivas.

                     Ben, mais cando dicimos que é unha novela valente aínda, aínda, queremos ir mási alá. Porque non é doado escribir un discurso onde o lector ou lectora teña tantos problemas para enfatizar coas personaxes. Unhas personaxes cheas de arestas, de conflitos, que á veces parece que humanamente temos que comprendelas, polo menos a algunhas ( ou algunha ) e, á mesma vez, e polas mesmas humanitarias razóns a lóxica e a decencia indicánnos precisamente que non o fagamos porque non son personaxes dignas da nosa comprensión moral. Había un escritor portugues que falaba do “fascismo dos homes bos” como o máis perigoso. Aquí temos exemplos, e dánsenos motivos como para empatizar con Fernando ( o violador ) ou Miguel (fundador do partdo facha e tamén denunciado por violador), tantos ou máis coma para non facelo. Non é nada doado escribrir unha novela con esas esixencias, mais Inma López Silva logrouno, escribiu unha novela nada cómoda de ler, que colle polos colares ao lector ou lectora para que se pregunte constantemente sobre o que está lendo e ata que punto pode empatizar con esta ou aquela personaxe, porque a autora a todas as personaxes as configura desde o conflito, desde as arestas morais, inclusive a bolseira de Helena Sánchez, inclusive a mesmísima Helena Sánchez, casada cun ultradereitista que fará de pai dunha filla que non é súa ( cousa que el nunca saberá ), que non é unha esposa fiel nin moito menos e que será acusada de “roubar” o traballo da súas bolseiras. Ou tamén o caso de Clara, a maquivélica Clara, que despois de ser feliz con Fernando e de irlles moi ben economicamente, o acusa de violar a filla menor, maquiavélica pero tamén humana.

                     É dicir, estamos a falar dunha novela tematicamente atrevida, valente, necesaria, e tamén dunha novela tecnicamente esixente, moi esixente e ben resolta, por certo. Brutalmente esixente.

                     Curiosamente, na presentación editorial fálase “ dun thriller político, intimista, sentimental e social”…e non é que nós nos pareza desacertado ou simple mensaxe para incrementar vendas. Non, non é por iso, mais temos a impresión de que poucas veces se escribiu unha novela tan negra coma esta. Negra porque afonda como poucas nas negruras das persoas, expoñendo á vez ou sucesivamente motivos polos cales deberiamos enfatizar con estas personaxes e motivos polos cales non o deberiamos facer nunca. Ben, xa falamos disto. Mais cómpre dicir unha cousa: as fillas, as fillas de Clara e a filla de Helena si son personaxes cos que un empatiza doadamente. Todas, menos unha filla de Clara ( que se seuicida ou a suicidan ) procurarán unha vida alternativa lonxe dos seus pais. Con elas si que se empatiza claramente, sobre todo con Amanda, porque é máis protagonista, as outras son máis obxecto da novela que protaginstas súas. Por iso o título: “O libro da filla”.

                     Porque as relacións matrimoniais aprecen fortemente cuestionadas, tamto ten que partan ou mesmo  gocen de momentos felices, finalmente rematan sendo un inferno do cal as fillas foxen, tanto as de Fernando e Clara como a de Helena e Miguel. E nin a fidelidade (por exemplo a de Fernando) nin a infidelidade (por exemplo no matrimonio de Helena e Miguel) son vías de escape satisfactorias. Dicimos relacións matrimoniais, mais deberiamos dicir relacións familiares, porque as fillas, o amor de nai e pai ás fillas, tamén ten moito que ver ( e, por suposto, o amor das fillas pola nai ou polo pai). O que sucede é que as fillas rematan por fuxir dese inferno, como dixemos, e, como no caso de Amanda (filla de Helena) rematan por adoptar modos de vida alternativos (como okupa e despois na aldea ecolóxica) totalmente á marxe das vidas dos seus pais e nais ( aínda que sexan progresistas, como é ocaso de Helena).

                     Pero tamén temos cousas malas que dicir, xa o adiantamos. Podemos comezar co uso dunha onomástica que non é plenamente galega, senón mixta, tanto se usan nomes galegos  como casteláns. Porén iso é o de menos. Porque o peor son os castelanismos. Cousas como: joder, mal rollo, gilipolleces, tododiós, perroflautas, manera, súa separación, vivalavida, zorra ( en galego zorra ten un significado diferente ao do significante a que se refire no texto) ou capullo. É dicir, palabras ou expresións que resulta moi cómodo empregalas en castelán, algunhas (manera, súa separación) porque non foron corrixidas como deberan e outras ( o resto) que constitúen castelanismos totalmente excusábeis en galego, alén de supoñerse que un autor ou autora, ao traballar coa lingua, debe enfrontar retos lingüísticos tamén. Isto, ao lado de cousas como sona por soa, ou maniña ( en galego “maniña” ten un significado diferente do diminutivo de man) por manciña, non din nada bo da lingua utilizada, ao que se poden sumar outras como foi non foi, discrición ( por “descrición”) ou aparecen ( por apareceron)…

                     E, claro, como esta novela se publica  en galego e castelán preguntámonos se en castelán tamén a lingua presentará estes problemas ou similares, porque a sombra da versión galega como borrador da castelá está aí… Non cabe dúbida de que a revisión final debeu ser máis fonda.

ASDO.: Xosé M. Eyré

a propósito de MIRADAS QUE DURAN/MIRADES QUE DUREN, de Álex Susanna, en Espiral Maior.

A MIRADA LIMPA E SERENA

Título: Miradas que duran / Mirades que duren

Autor: Álex Susanna

Selección, tradución e edición: Luciano Rodríguez

Editorial: Espiral Maior

As edicións poéticas bilingües non teñen prezo, pois resultan do máis interesante que se pode ler no eido da poesía, por non dicir iso tan sabido que nunha edición bilinguüe conviven dúas culturas (literaturas) que se dan a man desde o criterio informado de tradutor ou tradutora e mais de editor ou editora. Ao que, neste caso debemos sumar a figura do antólogo, neste caso o ben coñecido profesor da UDC, escritor, tradutor e crítico literario Luciano Rodríguez (Viana dio  Bolo, 1951). O obxectivo, dar unha imaxe a través do tempo da poesía de Álex Susanna (Barcelona, 1957) unha das principais figuras da literatura catalá contemporánea. Neste caso, un dos poetas de meirande recoñecemento e proxección, mais que debemos ter en conta que a poesía non é función cultural única na súa persoa, pois tamén se distinguiu como xestor cultural, tradutor, director da ediorial Columna, da fundación Caixa Catalunya, do Intituto Ramón LLul (2011-2016), da Axencia Catalana de Patrimonio Cultural e mesmo foi fundador de Festival Internacional de Poesía de Barcelona, por só sinalar algunhas das principais iniciativas nas que participou. Como escritor foi distinguido co Premio Josep Pla de narrativa (Cuadern veneciá, 1988), o Miquel de Palol de poesía (Memoria del cos, 1980, non figura nesta antoloxía, que comeza en 1987), o Carles Riba de poesía (Les anelles des anys, 1990), alén de recinbir o Chevalier des Arts et des Letres do goberno francés ou Rosalía de castro do PEN Club de Galiza.

                     Alén do autor, debemos tamén comentar o moi interesante prólogo de Jordi Llavina (Gelida, Barcelona, 1968), tamén poeta, e sen dúbida un dos mellores coñecedores da obra de Álex Susanna, e mesmo viciño e amigo seu. En “Escintileos de sentido!”, ademais de identificar a predilección de Susanna pola poesía angloamericana “pola liña estética que Seamus Haney facía remontar a Hardy” pasando por outros grandes poetas como Robert Frost, Edwuard Thomas, Par Kavanagh, R.S. Thomas ou Ted Kooser, vai sinalando motivos temáticos importantes na obra de Susanna, como a intemperie moral ou a avaliación do paso do tempo nos corpos en Les anelles des anys (segundo dos poemarios antologados, 1991). No seguinte (Suite de Gelida, 2001) sinala a reflexión a redor da paternidade ou a familia, que tamén se atopa en Angles morts (2007), alén da cultura como consolo ou da escrita como refuxio (Angles, onde tamén se sinalan os poemas ecfrásticos, coma unha das “debilidades” preferidas de Susanna) e en Promiscuitat (2011) acha a voz dun poeta en plena madurez creativa (precisamente foron descartados os poemarios iniciais ou puntuais por ese mesmo motivo, engadimos nós) advertindo que non se debe ler o título desde un punto de vista sexual ou amatorio senón coma unha declaración moral. Filtracións (2016) é o último poemario, polo momento, e o título parte dunhas filtracións reais  na súa morada de Queralbs para reflexionar sobre o que inesperadamente nos chega cando xa nada agardamos. Concluíndo que toda a poesía de Susanna “responde a este obxectivo, a esta encomenda: construír unha casa de certezas nun mundo intemperante e intratábel, que inevitabelmente se nos torna duro” (18).

                     Engádase que tamén Luciano Rodríguez escolma poemas de Palau d´hiver (1987) e Boscos i ciutats (1994), para quea listaxe sexa completa.

                      E volvamos agora á poesía Sussanna, precisamente para identificala ou definila a partir primeiro do título da antoloxía: “miradas que duran”, que por un lado sinala un proceso de análise ( interior e exterior) profundo e á vez persistente no tempo. Porque así nos parece a poesía de Álex Susanna, unha poesía que de primeiras pode parecer moi descritiva, moi “exterior”, mais esa non é senón a estratexia para chegar á análise interior. E despois, complementariamente, a partir do outro título, o do prólogo, de onde rescatamos os “escintileos” precisamente como a forma de dar a coñecer as conclusións, ou, mellor, posturas (pois non son nunca inmutábeis) a que o autor vai chegando e que no poema se amosan precisamente como iso, como escintileos que nun determinado momento iluminan e trascenden o poema. Sempre desde a mirada limpa e serena.

                     Remataremos expresando os nosos parabéns tanto ao antólogo e tradutor, Luciano Rodríguez, porque é ben significativa a mostra da poesía de Susanna, como ao prologuista, Jodi Llavina, quen sen dúbida dá unha imaxe da poesía de Susanna ben informada e de primeira man. Sen dúbida unha excelente iniciativa a sumar ás anteriores de Ahmed Arif e Heirich Heine.

ASDO.: Xosé M. Eyré

crítica de PALABRAS DE OPOTON O VELLO, de Ave-lí Artís-Gener, traducida por Eduard Velasco, en Xerais.

UNHA NOVELA IMPRESCINDÍBEL

Título: Palabras de Opoton o Vello

Autor: Avel-lí Artís-Gener

Traduce: Eduard Velasco

Editorial: Xerais

Traducións como esta son as que de verdade prestan, as que prestan moito máis que outros títulos que por moi best-seller que sexan pouco ou nada engaden á república das letras. Porén, traducións coma esta de catalán ao galego, e que ademais nos presenta unha moi singular novela, si fan polas relacións interculturais entre Catalunya e Galiza, ademais de darnos a coñecer unha desas novelas que resultan inesquecíbeis. No só é unha novela cimeira na literatura catalá; é que, ademais, resulta unha lectura inesquecíbel, non nos cansaremos de repetilo.

                     Porque aqueles textos que nacen dunha idea xenial adoitan deixar lecturas sorpresivas e inesquecíbeis (outra vez).

                     Coma esta de Avel-lí Artís-Gener (alias Tísner; Bracelona, 1912-2000) que ( e seguimos a informada e necesaria introdución do tradutor Eduard Velasco) se lle ocorreu mentres preparaba un filme publicitario (en 1949) xunto ao poeta e cineasta Fernando Espejo: e, se en realidade foran os amerindios (aztecas) os que nos descubriran a nós, e se eles foron os primeiros en contactar co  outro continente en lugar dos europeos? Velaí a xenialidade da idea, a concepción da novela, que segundo comenta Eduard Velasco, foi desenvolvendo a petición de Espejo, que quedara prendado da idea e día a día lle pedía que lle contase como continuaba a aventura. É importante reparar nisto, malia que despois escribiu dous textos que desbotou até concluír o defintivo en 1961, porque dá unha idea da importancia que a oralidade ten na novela. Unha novela que bota man do vello recurso do manuscrito atopado, que desta vez son esas Palabras de Opoton o Vello, o que en si vén sendo a novela ( ademais do necesario comentario autorial de como se atopou ese manuscrito). Polo tanto, unhas Palabras de Opoton o Vello relatando a viaxe cara ao Oriente, e a súa estadía e contactos na Galiza, sobre todo, despois irán máis alá, cara a Oiartzun, mais iso é cara ao final.

                     No discurso de Opoton, nas súas palabras, é moi importante a oralidade, pois é a primeira vez que Opoton escribe e quere reflectir ben a oralidade para que os seus compatriotas non se estrañen. Loxicamente o seu discurso ás veces é inconexo, con carencias típicas do que se pon a escribir por primeira vez…pero tamén coa frescura, a proximidade, que iso representa para o lector. E o tradutor (Artís-Gener) vese na obriga de salferir con notas o texto, a fin de proporcionar unha lectura máis áxil e clara -despois o mesmo Eduard Velasco introduce outras necesarias notas, sitas no remate do libro.

                     E non só isto, senón que os aztecas, na súa descuberta do Vello Aztlan (Galiza e demais terras) van identificando as diferentes tribos (pobos, nacións) segundo a fala que teñan: fala galega, fala bable, fala castelá…

                     Antes de continuar, esta novela e este autor, e seguimos outra volta a Eduard Velasco na súa introdución, tamén deixan testemuño da realación que se establece entre o exilio galego e catalán, pois non cabe dúbida de que o autor debeu precisar a axuda de galegos aínda que sexa para os diálogos que no orixinal catalán aparecen en galego.

                     Evidentemente, ou loxicamente, ou como era de agardar, o discurso de Opoton, as súas palabras, constitúen un exercicio de escrita de tal xeito que mentres lemos temos a impresión de estarmos lendo unha novela histórica. Unha novela histórica que reivindica o entendemento entre culturas en lugar da conquista, a subordinación e aniquilamento dos vencidos. Pois os aztecas non veñen con afán de conquistar outras xentes, senón de atopar ao seu deus, que é o Sol e por iso se botan ao mar cara ao Oriente e veñen dar á Galiza. E aínda que hai episodios bélicos, estes débense a malentendidos ou á ignorancia do galegos respecto das intencións dos aztecas. Polo menos mentres están na Galiza, onde conviven cos galegos e os galegos con eles, aprenden algunhas cousas (non imos dicir cales) de proveito e tamén deixan algunha ensinaza pois eran un pobo culto. Esta convivencia é así mentres están an Galiza. A medida que se internan cara a Oiartzun (Euskadi) e se topan cos casteláns… esta convivencia xa non é posíbel pois os casteláns son xente que non están polo labor de entenderse cos recén chegados e todo se volve facerlles a guerra, aniquilalos no posíbel. Cousa que aos censores do momento lles pasou desapercibida, este canto ao entendemento entre os pobos e tamén a sutil e contundente condena da actitude bélica e soberbia dos casteláns.

                     E non diremos máis nada da trama desta novela imprescindíbel. Só engadir que tamén é unha novela escrita con moito humor, non son poucas as veces que o lector pintará un sorriso na súa cara desde o mesmo momento en que os aztecas desembarquen na Galiza (tampouco diremos onde). Si, o humor está aí, e é ben recibido polo lector nun discurso dunha elevada esixencia estética que o autor (Avel-lí Artís-Gener) enfronta con moito éxito. E que o tradutor, Eduard Velasco, nos pon en galego nunha tradución realmente salientábel desta que é unha das obras máis importantes da narrativa catalá do século XX.

                     E, por descontado, unha novela absolutamente imprescindíbel en calquera bilioteca que se prece.

Unha desas novelas que un nunca esquecerá.

ASDO.: Xosé M. Eyré

crítica de TANTOS ANOS DE SILENCIO, de Francisco Castro, en Galaxia.

NA BATALLA POLA DIGNIDADE E A UTOPÍA

Título: Tantos anos de silencio

Autor: Francisco Castro

Editorial: Galaxia

Desde hai bastantes anos é frecuente oír/ler iso de “outra novela da Guerra Civil”, dito en ton despectivo, coma se as inxustizas se repararan a golpe de número de novelas.

                     Desde hai bastantes anos é frecuente oír/ler “perderon a Guerra e agora queren gañala escribindo novelas e máis novelas”. E non. Non se trata de gañar o que se perdeu. A Guerra Civil froito do Golpe de Estado Franquista perdeuse e despois viñeron 40 anos de ignominia. Iso ninguén o vai cambiar. Porén, por moitas novelas que se escriban nunca serán suficientes para restituírlles a dignidade roubada aos que loitaron pola República, réxime legal e lexitimamente establecido daquelas. A dignidade. Porque loitaron polo  único goberno lexítimo. E deron a vida, moitos e moitas, na fronte de batalla. E outros moitos e moitas foron axustizados, asasinados sen máis xustificación que a do tiro fácil, a da revancha política ou social ou cultural. Polas noites ou de madrugada. Nas gabias, nos muros, nas cunetas, de calquera maneira. E moitísimos ou moitísmas máis aínda tiveron que vivir coa cabeza gacha, os ollos cegos, as orellas pechadas e a boca muda, aturando montes e moreas de insultos, de confiscacións de bens, de ultraxes, de cabezas rapadas (as mulleres) e moitas cousas máis que nin eu vou poder lembrar agora, nin tempo temos para facelo nin este é o lugar máis axeitado.

                     Pois si. Esta de Francisco Castro é unha nova novela sobre a Guerra Civil. E nunca serán escritas abondas vista a magnitude de maldade que esta espertou e que os cidadáns tiveron que sufrir durante a ditadura franquista. Nunca serán abondas. Ninguén pode dicir, con cada novo título dedicado a esta temática, que xa leu abondo e que xa sabe sobradamente como sucederon as cousas. Porque non. Non o sabe sobradamente nin quen lera todas as novelas a ela dedicadas. Porque o espanto, o abraio, nunca deixarán de sorprendernos, de deixarnos atónitos. E, o peor, a realidade seguro que foi moito peor e moitísimas veces anónima, agachada, que non se soubera nada…

                     Da trama só vou dicir que todo comeza cando a Asociación pola Memoria Histórica atopa, nun pazo, unha fosa común con restos de varias persoas e outro enterramento próximo  cunha moza cun libro entre as mans. A partir de aí comeza a revisión duns feitos acontecidos no pazo a raíz do estourido do levantamento fascista. A partir de aí desenvólvese unha novela que está escrita na loita pola dignidade que nunca debe esquecer o ser humano, porque se é humano é precisamente por ter memoria histórica e sobre todo memoria histórica do horror. Quizá haxa quen diga que as personaxes están un chisco idealizadas, que podían ter máis “arestas” e así mesmo daría para unha novela con máis fondo. Quizá. Non o nego, mais agradezo ao autor, Francisco Castro, a aposta decidida pola utopía. Pola utopía positiva (porque tamén hai utopías negativas, véxase o fascismo hitleriano), pola utopía que consiste en cre que se pode cambiar o mundo a mellor, e que ese cambio a mellor vai vir da man da cultura. Agradézoo, porque nestes tempos que corren (máis que pragmáticos, anti-utópicos, negacionistas) é moi necesaria xente que aínda crea na utopía, na utopía e en que a cultura é a chave para mudar as cousas no mundo. E, dentro desa cultura, moi especialmente a poesía. O eloxio do poeta que se realiza na novela é para non deixar pasar sen comentario. Máis idealización? É certo que un bo poeta ( ou un bo escritor) pode ser unha mala persoa, mais a experiencia propia dime que gañan os que son boas persoas. Boas persoas que ademais realizan unha aposta pola beleza, pola beleza escrita con palabras.

                     Si, na novela hai un poeta, Ramón Gándara, e un poemario de amor, inédito porque os fascitas mataran a Ánxel Casal, que o ía editar. E o amor é outra das palabras clave, porque a novela de Francisco Castro tamén é unha novela de amor. De amor filantrópico, de amor utópico, de amor paternal, de amor pola humanidade e de amor entre unha moza e un mozo. E tamén de odio. Porque o levantamento fascista “lexitimou” o odio e, no seu nome, podía cometerse calquera atrocidade que, sendo vítimas os inimigos do réxime, todo valía.

                     Lembremos agora que o pazo en cuestión se constituíu na antesala do campo de concentración de San Simón. San Simón, onde o cura xuntaba os presos para verterlles palabras de odio desde o púlpito, dicíndolles que o mellor que podían facer (por España) era morrer…

                     Porén, non nos vaiamos do fío. Diciamos que esta era unha novela na loita pola dignidade. Na loita pola dignidade como persoas, como pobo, como vítimas, como inimigos do fascismo. E unha novela reivindicadora da utopía. Mais tamén é unha novela na loita pola dignidade da muller como persoa. Pois a protagonista central é vítima de malos tratos, é vítima do machismo, e nin as ordes de afastamento logran evitar que esa “besta” que tivo por marido se achegue a ela. É esta outra loita que non convén esquecer, e que tamén enriquece unha novela que logra atrapar ao lector. Pouco a pouco ( o fragmentarismo e a brevidade son dúas caracteríticas formais) o lector vai ficando enredado na tea argumental de xeito que lle tarda en chegar a conclusión, o remate, a solución. Nisto, a novela resulta realmente consistente.

                     O peor da novela é que precisaba dunha revisión máis concentrada, que evitara castelanismos como “tododiós”, “coño”, “bendicen”, enderece” ou outras deformacións como “maratóns” en lugar (imaxinamos) de “moratóns”…

                     Que será de nós o día en que ninguén crea nas utopías? Que será da humanidade o día en que a dignidade non sexa máis que unha palabra no dicionario?

                     Pois para iso, para recuperar a fe nas utopías, para recuperar a fe na dignidade humana, lean esta novela, por exemplo.

ASDO.: Xosé M. Eyré

segundo loito, agora polo Pepe da Marilú

Doito escribir sobre aquelas persoas que para min foron referentes vitais, sexan familia ou non. Neste caso si. Os dous son os maridos das dúas afilladas da miña nai. Xente moi próxima.

No caso do Pepe da Marilú, a quen demos terra o sábado, e eu quedei tan canso que até hoxe non puiden escribir, sempre foi home de poucas palabras, falaba moi pouco, só se lle preguntabas algo. Porén o seu sorriso era eterno. Nunca o vin qu enon sorrira. Nunca o visitei que non me abrira as portas da casa de maneira total. ” A Marilú non che está (,ou está traballando), ti entra e colle o que precises”. Porque o Pepe era un home todo bondade, todo o que tivera compartíao mesmo a risco de ficar sen el, ou sen a súa parte.

Vánseme indo estes referentes vitais e váiseme asomando un abismo que me dá medo…

O caso do Antonio da Marité é moi difertente. Convivivmos moito. Vivimos moito tempo na mesma parroquia. E, despois da emigración en Inglaterra, cando traballaba na madeira, rara era a semana que non nos visitara varios días á hora da cea. Gorentáballe especialmente o caldo que facía a miña avoa Xesusa, e mandábase un prato ou dous “por acompañarnos”. Tamén era un home especialmente alegre. Xa teño dito que non lembro conversar con el sen acabar sorrindo ou rindo por moi soturno que estivara ao principio. Sentía por el un afecto especial, era curmán político mais o de político nunca llo tiven en conta. Era un máis da familia. E nas súas matanzas teñi vivido momentos memorábeis.

Vánseme indo os referentes vitais e váiseme amosando un abismo que me dá medo… porque nin eu, nin os meus curmáns, estamos á altura deles ou dos meus tíos. Levo pendsado moito como esta xente, que viviu a guerra e/ou a postguerra, podía ter semellante alegría. Ir a Riopedroso ou a Paderne tanto daba, sabía qu eme ían recibir con alegría, non só pola estimanza en que tiñan a miña familia, senón porque eles eran así, celebraban cada día co mellor humor posíbel, sempre atopaban a maneira de facer dese día algo especial…E iso, nós, os “novos”, por moitos recortes que colleramos, aínda que as cousas se nos foron pegando, esa actitude vital, xa non é o mesmo…e síntome perdido.

crítica de CORTE E CONFECCIÓN, de Celia Díaz Núñez, en Galaxia.

RELATOS MOI BREVES, POSÍBEIS MICROCONTOS E A CONCEPCIÓN DO TEXTO COMO A ARTE DE CONFECCIONAR PRENDAS.

Título: Corte e confección

Autora: Celia Díaz Núñez

Editorial: Galaxia

O título destas liñas saíu como saíu, porque quizá deberamos comezar polo final. De feito, a concepción do texto como a arte de confeccionar prendas abre precisamente o libro. Non se trata de ningún relato, nin de ningún microconto, senón dun texto metanarrativo, no que se compara a confección de prendas de vestir coa confección do texto. Mataliteratura, en realidade, porque esta concepción tamén serve para a poesía ou o teatro, aínda que no libro se fala de “escribir unha historia” a nós parécenos claro que se poida entender de xeito extensivo.. Resumimos: o primiero é contar cunha “tea de calidade”, é dicir: “un argumento interesante con personaxes sólidas e ben definidas, unhas localizacións ben perfiladas e unha historia tenra, emotiva, emocionante, trepidante” Fixémonos ben nestes adxectivos, vai ser importante cando falemos do libro. Logo vén a patronaxe, é dicir: “a trama”, que debe ser intelixíbel e coherente para que todo teña sentido. Fixémonos outra volta, porque por aí andan opinións segundo as cales a verosimilitude é algo accesorio. E por último “ as puntadas”, as puntadas que son “ as palabras”. Unha reflexión moi acaída cando hai escritores que simplifican propositadamente a súa linguaxe; canto menos variadas sexan as puntadas menos posibilidades de confección existen, canto menos variada sexa a lingua menos posibilidades expresivas existen. Máis clara non pode ser Celia Díaz Núñez.

                     Aínda que a maioría dos exemplos que pon Celai Díaz se corresponden coa actividade do xastre, non cómpre esquecer nisto ás modistas, ou mesmo as costureiras, máis sacrificadas aínda coa súa máquina ao lombo cando cosían polas casas.

                     Porén este é un libro de relatos moi breves, e xa comentamso abondo a presentación, que é un discurso metaliterario mais non un relato. Trinta relatos moi breves, se neles non contamos o “Tutorial” derradeiro, que en realidade é un instructivo, un manual de instrucións. Os que si son relatos son os anteriores. Realtos moi breves, ás veces na fronteira do microconto (páxina e media de extensión, como moito). Acontece isto unhas oito veces, mais dicimos que son relatos (moi  breves) na fronteira, porque en realidade nunca son microcontos. Os microcontos, alén de non superar a extensión fixada, requiren un remate lostregueante que impacte decididamente no lector ou lectora e mesmo que @ obrigue a voltar a vista cara ao título e as primeiras palabras. E aquí non sucede. Son relatos climáticos, iso é certo, mais non pasan de aí, son relatos climáticos como tamén climáticos son os que superan a extensión da micronarrativa. Nin tampouco é micronarrativa o derradeiro texto, trátase dunha fórmula de moito éxito na micronarrativa, mais agora nin a extensión o permite.

                     Do resto de relatos moi breves, que son moitos aínda coa salvedade antes mentada, o libro caracterízase por dispoñer en primeiro lugar aqueles protagonizados por mulleres, tanto é así que, cando comezamos a súa lectura parecíanos estar diante dun libro que só ía ter protagonismo feminino. Mais non é así, os últimos once (se non contamos mal), en bloque, están protagonizados por homes, e antes xa atoparamos outros con outros protagonismos. Porén, malia iso, non nos cabe dúbida da querenza da autora por un protagonismo feminino que ademais denuncia diversas situacións polas cales a muller ten/tivo que pasar neste mundo. Desde a consideración da muller como “obxecto”, ao maltrato machista, a tradexia da Guerra (in)Civil, a prostitución, o comercio con seres humanos (mulleres), ou a vinganza (que obriga a supoñer un maltrato anterior). Por poñer algúns exemplos que guíen a unha posíbel lectura incitada pola temática.

                     E tampouco seriamos xustos se non dixeramos que tamén hai relatos que non os protagonizan nin muleres nin homes, senón animais, como antes apuntabamos.

                     Nin se remataramos sen indicar que Calia Díaz, a autora, se manexa especialmente ben neste tipo de relatos moi curtos. Sabe crear axiña a tensión que mantén ao lector ou lectora atento ao que se conta. E, logo, tamén resulta moi hábil rematando os textos de maneira climática, inagardada, sorpresiva. Non cabe dúbida de que é unha lectura moi aconsellábel.

ASDO.: Xosé M. Eyré