Clarice Lispector entrevista a Nélida Piñón

Esta entrevista da Clarice Lispector a Nélida Piñón apareceu no Jornal do Brasil, en 1970. Lispector sempre foi unha esritora fronteiriza, no sentido de que nin reparaba nas fronteiras xenéricas nin en ningunha atadura estilística. Para ela, escribir era un modo de expresarse, de ser ela. Por iso non deb estrañar que esta entrevista apareza baixo o epígrafe de “crónica”. da mesma maneira fixo con outros moitos escritores (Neruda, por sinal), músicos, pintores…xente que mercecía destaque.

A continuacvión reproduzo, tal cal, a entrevista:

UM LABORATÓRIO DE CRIATIVIDADE

Há oito anos uma moça chamada Nélida Piñon, descendente muito brasileira de espanhóis, iniciava sua carreira literária com um livro dificílimo de ler: GuiaMapa de Gabriel Arcanjo. Sem nenhuma concessão ao leitor, o livro, para a maioria, era ininteligível. Ainda na mesma linha publicou, em 1963, Madeira feita cruz. E três anos depois o livro de contos Tempo das frutas, este já bem mais realizado, com ótimos contos. O seu romance O fundador ganhou um prêmio especial no Concurso Nacional Walmap e aparecerá, pela Editora José Álvaro, na segunda quinzena de novembro. Continua escrevendo: tem prontos um livro de contos e uma peça de teatro. Tudo escrito num estilo muito especial, muito nélida piñon.

Enquanto isso, dirige o primeiro laboratório de criação literária no Brasil, na Faculdade de Letras do Rio de Janeiro, cargo que lhe assenta perfeitamente: só poderia ser ministrado realmente por alguém com a inteligência criadora de Nélida. Fiz-lhe, a propósito do laboratório, umas perguntas, que foram respondidas por Nélida por escrito.

– Você está dando um curso sobre criatividade literária, ou atividade criadora de um modo geral?

– Literária, em particular. Mas não separo o fenômeno literário da criatividade em geral. Uma vez que criar é estar em todas as coisas.

– Você crê que o laboratório de criação literária, da Faculdade de Letras, possa orientar futuros escritores, ou seu curso tem apenas um sentido cultural?

 – Mais importante que transmitir experiência, é discutir as razões que justifiquem o escritor numa sociedade de consumo, em que o homem, nutrindose do objeto, aprendeu a venerar geladeiras, carros, instrumentos enfim que lhe são impostos como presumíveis restauradores do espírito. Não acreditamos que o ofício de escrever, assimilado de qualquer modo, determine imperativamente uma elite. Ao contrário, como poverellos estaríamos mais aparelhados a destronar as regras incompatíveis e uma comunidade adiposa. O laboratório pretende tão somente queimar etapas, lidar com técnicas dominantes na ficção contemporânea, sem mutilar porém o espírito criador do aluno. Sobretudo transmitir a verdade – e ouvindo também confirmamos nossa crença – de que compete afinal ao escritor desvendar o labirinto, o escondido, a parcela, derrubar falsas comemorações, intensificar dúvidas, protestos, ainda que seu grito seja o último a se registrar numa região atomizada.

 – Quais os processos que liberam mais a criatividade?

 – Todo processo é válido, desde que se confirme a criação. Alguns escritores, por exemplo, exigem o estado orgástico para criar, aquele delírio impedindo-os de analisar o ato que estão conhecendo, os frutos abastados da sua poderosa paixão. Outros elegem o caos como modo de atingir a ordem; o que equivale a eleger a ordem para estabelecer o caos na Terra. Certos escritores imitam a sedimentação da rocha, cultivam estágios longínquos, são habitantes de eras remotas, e tão pacientes que desprezam o tempo por acreditarem na eternidade. Mas quem fala pelo escritor é seu próprio depoimento, o impulso de não ser escravo e criar libre .

 – Qual é o seu método de escrever? Você planeja a trama antes de começar?

– Acredito no convívio diário com a palavra, ainda que não seja de ordem física. Sem tal abordagem regular, vejo reduzida minha capacidade de expressão, dificilmente alcançando a forma necessária. Crio o que preciso ao longo dos dias, as mais penosas horas, e da vivência pessoal, colisões permanentes com a Terra. Existindo a consciência de escrever, que este ato se repita constantemente. Não compreendo amadorismo. Compreendo sim a vocação flagelada, difícil, espinhos por toda a carne, que é a nossa coroa, o desafio de não transigir. Fundador, meu último romance, foi estruturado antes de o iniciar. Conhecia a técnica, a linguagem, o andamento que se devia adotar. Embora elementos imponderáveis, entre o tanto que mais tarde mutilamos corrigindo, como se não fosse nossa carne o que estamos sacrificando – surgissem ao longo do livro como transfusão.

 – Você acredita em inspiração, ou acredita que o trabalho árduo é que vale para escrever?

 – Inspiração era meu recurso de adolescente. Fase adulta exige outro confronto. E como a natureza não me tornou instrumento de Deus, habituei-me a avançar pesadamente no mundo escuro de um texto até descobrir a primeira luz.

crítica de NON CANTAN PAXAROS NESTE BOSQUE, de Carlos Negro, en Xerais.

CARLOS NEGRO, ENTRE O MISTERIO E O TERROR

Título: Non cantan paxaros neste bosque

Autor: Carlos Negro

Editorial: Xerais

 Pois xa temos a Carlos Negro tamén como ficcionador porsístico. En realidade, a súa estrea narrativa non é esta. Polo menos xa lle coñeciamos “O paxaro na gaiola”, porque formaba parte de Contos de medo no museo. Relatos  do Museo provincial de Lugo (Deputación de Lugo, 2017), e aí tamén xa estaba a faciana prosística entre o misterio e o medo, que unha cousa leva con moita frecuencia a outra, e sabiamos que cando cultiva a prosa faino cunha solvencia equiparábel á poesía. Certamente, Carlos Negro en prosa non resulta tan novidoso como en poesía, máxime cando escribe abeirado a un xénero, como neste caso é, maioritariamente, o do terror…porén iso non quere dicir que na narratia non resulte tamén un autor que se expresa con pericia. Pois o conto de terror, cando se escrebe ben, cando está ben escrito, produce o efecto desexado, e cando non está ben logrado pode levar mesmo ao sorriso… E non é este o caso. Aquí, todas as historias que conta (nove en total, contando a xa mentada) van preñes de misterio e, dependendo da sensibilidade e capacidade de asombo de quen le, tamén de terror ou medo, sempre de desasosego. Un desasosego que xa transmite moi ben o mesmo título: “Non cantan paxaros neste bosque”, que leva a pensar nun estado de cousas non natural, porque o natural é que nun bosque haxa paxaros e que estes canten. Porén, as atmosferas de misterio, medo ou terror, por moito que poidan parecer normais, pouco a pouco imos accedendo, segundo lemos, a unha perspectiva que xa nolas fai ver como desacougantes, un descougo que pode rematar na sesación de medo ou terror. Un bo exemplo pode ser precisamente “O paxaro na gaiola”, que en principio é o relato dunha visita ao Museo provincial de Lugo, un relato que tamén leva aparellada a denuncia do acoso sexual a unha estudante, mais cuxa lectura desasosega in crecendo e remata nunha atmosfera de terror…seguindo o esquema clásico do conto: deixa ler unha historia cando en realidade estás contando outra coa que soprenderás no remate.

                     Estas historias de terror están publicada en colección para adolescentes (“Fóra de xogo”), mais, como sempre acontece con Carlos Negro, @s adult@s desaproveitarán unha excelente ocasión para gozar da lectura se pensan que “non vai con elas/eles”. Igual que @s adolescentes perderán unha moi ocasión lectora se teñen o conto como lectura menor, pois adoitan preferir distancias máis longas na escrita aínda que difruten moito co conto oral. Porén, o prestixio de Carlos Negro como comunicador para estas idades, pouc@s coma el, debe evitar isto e conducir a un horizonte de expectativas contrario, ao estimular a curiosidade.

                     De entre a variedade de historias que se contan neste volume, estando presentes os comportamentos pouco éticos de alum@s, queremos salientar “Área de servizo”  aínda que aquí o protagismo non sexa adolescente, neste caso o narrador xoga coas expectaivas lectoras, que pouco a  pouco se van facendo máis patentes e que, confirmándose no remate, non deixan de sorpender e desasosegar. Aínda que, salientar un non deixa de ser un “pecado”, pois no seguinte (moi abeirado ao conto de terror gótico) non está escrito con menos pericia. Nin a menso disatncia de “Translúcido”, resulta impedimento ningún.

                     O que si resulta absolutamente sorpresivo é “A despedida”, un precioso microconto de terror. Pois no espazo dunha páxina, mesmo algo menos, conta unha historia de terror digna de figurar en calquera antoloxía das nosas hiperbrevidades ficcionais.

                     Máis volvamos, aínda que nunca a deixamos, á variedade de historias contadas. Agora para situarnos con “Selenochlambys Estadea” ao abeiro entre o terror “científico” e o que proporciona a propia natureza. Contos de “aparecidos” tamén hai, por exemplo no remate. Porén, se fica algo por salientar é precisamente o protagonismo, na maioría dos casos, dunha adolescencia conflitiva e moi realista, na idealizada. As relacións que se establecen entre @s adolescentes adoitan ser conflitivas porque sempre hai quen pretende ter unha posición de dominio sobre @s demais, adoitan ser relacións en desequilibrio porque sempre hai quen pretende gobernar o grupo ou simplemente impoñer a súa persoa por riba da da parella. Mais estudarmos as relacións entre adolescentes non é obxectivo desta crónica libresca, que só debe deixar constancia de que esta estrea de Carlos Negro nas desacougantes atmosferas do deasosego,do misterio e do terror, resulta dunha moi agradábel lectura e demostra unha pericia narrativa moi notábel., como xa dixemos.

ASDO.: Xosé M Eyré                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

crítica de NON TE AMOLA!, de Xela Arias, en Galaxia.

XELA, ETERNA XELA…

Tíulo: Non te amola!

Autota: Xela Arias

Editorial: Galaxia

Vostedes xa saben o coidadoso que adoito ser cando se trata de edicóns póstumas. E asegúrlles que esta vez tampouco deixei de selo. A aínda que me gustaría que a publicación contase cun limiar onde se nos explicara cando Xela Arias escribiu esta obra, digo ben alto e ben claro que non se trata dunha publicación oportunista (por estarmos no ano de Xela Arias, calquera cousa inédita é un tesouro editorial) senón oportuna, necesaria e imprescindíbel. Oportuna. Necesaria. Imprescindíbel. Oportuna porque, cando mellor que no ano das Letras Galegas Xela Arias para dar a coñecer esta non tan pequena xoia? Necesaria porque nos amosa unha Xela Arias narradora, narradora moi competente, que vén engadir a faciana narrativa á poética xa coñecida. Imprescindíbel porque se trata dunha non tan pequena xoia; de primeiras semella un texto breve, certamente non é longo, mais tampouco é tan breve, entre outras cousas -que logo veremos- tamén porque a competencia narradora de Xela nos conduce a unha lectura moi atenta, na cal cada palabra, cada frase, cada oración, cada parágrafo, cada capítulo…é lido cun horizonte de expectativas tremendamente alto, que sorprende pola proximidade que acada coa persoa que le, que se instala en nós e non somos capaces senón de agarimar esa lectura, emocionada e emocionante.

                     Non quero pecar de esaxero, e non creo que o faga, se digo que este é un discurso á altura doutros textos icónicos e clásicos onde se nos presenta a vida través dos ollos infantís, neste caso dunha cativa, que resultan narradores. Xa lles digo que formalmente non se trata de ningún texto anovador, no sentido habitual desa etiqueta. En boa parte pode ser considerado como un diario vital, un diario que dá conta da evolución dunha rapaza que ten que enfrontar o paso da vida. Mais non é un diario, se callar tamén podería ser un documento de vida, nos mesmos termos antes mentados. E quizais poida parecer que, manter a mesma personaxe narradora co paso do tempo, co paso dos anos, semelle un tanto artificioso. Porén, non é para tanto, en primeiro lugar porque se trata dunha etapa da vida onde as mudanzas no punto de vista non adoitan ser grandes; e, en seundo lugar, pola xa mentada competencia narradora que exhibe Xela Arias.

                     A Xela que atopamos aquí, é unha narradora rebelde, inconformista, crítica, decidida. Si. Mais tamén é unha unha narradora cariñosa, co corazón aberto á sentimentalidade (que non sentimentalismo) pois descobre vida e dá noticia de afectos. Unha narradora inconformista mais tamén unha naradora que se fai querer desde a inocencia propia dese tempo vital, desde esa primeira ollada tenra, tenra mais crítica, non se esquenza que se o libro comeza con nove anos e de xeito experimental (“Agora na primavera fixen nove anos. Son moitos para non procurar nada de proveito na vida, así que vou escribir un libro”) tamén remata cunha conclusión clarísima (“Porque cando as cousas están mal hai que cambialas. E neste mundo é claro que non todo vai perfecto.”).

                     Confeso que mesntres lía o Non te amola! de Xela Arias, na miña mente non deixaba de rebulir O pequeno príncipe de Antoine de Sait-Exupéry. Son obras moi distintas, abofé, mais a capacidade narrativa para chegar, para tocar as cordas do corazón de que le…é a mesma. Resulta imposíbel ler o texto de Xela sen nos deixar de sentir emocionados, conmovidos, pola visión, polo punto de vista emocionado e emocionante mais tamén crítico e inconformista mais tamén femimista (reclama a maioría de idade das mozas a unha idade máis temperá que a dos mozos, pois fisica e mentalmente medran antes) que nos leva da man a través da lectura.

                     Pouco máis se pode pedir dunha lectura destas características: que emocione e abra os ollos de quen le. Sendo por iso unha lectura intemporal, unha lectura para calquera idade, pois sempre ha ser unha lectura de proveito.

ASDO.: Xosé M. Eyré

crítica de AS MALAS MULLERES, de Marilar Aleixandre, en Galaxia.

CONDICIÓN DE MULLER NO SÉCULO XIX

Título: As malas mulleres

Autora: Marilar Aleixandre

Editorial: Galaxia

Termos unha nova novela para adult@s de Marilar Aleixandre, narradora de prestixio, equivale a dispoñer dunha festa da palabra escrita, unha expectativa de horizontes lectores fértiles e moi difíciles de non atender, por canto é autora cuxa obra sempre remove por dentro en asuntos de pura actualidade, e que, neste caso concreto d´As malas mulleres vén referendado polo Premio Blanco Amor na súa XXXIX edición.

                     A novela que nos ocupa insírese nun contexto social no que, por unhas ou outras razóns políticas e sociais, o feminismo e os dereitos sociais enfrontan días difíciles. Sempre son difíciles os tempos para a reivindicación feminista ( xa o teño dito, con antecedentes anteriores mais a herdanza máis plausíbel, máis importante do século pasado), porén achámonos nunha perigosa vaga de reducionismo en dereitos sociais que a mudanza dun governo hiperconservador a outro (en teroría) progresista non coutou aínda. Sempre é necesario reivindicar, facer consciente á sociedade do que ten e do que aínda necesita chegar a ter para ser igualitaria e xusta. Neste caso, o valor das mulleres, historicamente sometidas, cousificadas, anuladas, despersonificadas. E, na novela que nos ocupa, temos diante un retrato social da muller na segunda metade do  século XIX, na cidade da Coruña (principalmente, outros escenarios son secundarios…e poucos), e, sobre todo, centrado nas clases sociais máis defavorecidas. Mesmo se pode dicir que o discurso se move desde o eixo que proporciona a personaxe de Isca. Moza de familia moi humilde e necesitada que é ingresada n´A Galera, “institución” á que van parar as mulleres de mala vida ou delincuentes, un cácere para mulleres. Mesmo se pode dicir, coas reservas lóxicas, que en realidade é un panóptico da realidade da muller naquela época. E nesa realidade teñen cabida tamén personaxes femininas de clase social alta (como a Visitadora, Concepción Arenal, ou a mesma Juana de Vega) e tamén outras intermedias como Paquita (servente, mais de condición desafogada). Sendo tamén certo que a Visitadora, Concepción Arenal, ocupa un lugar privilexiado no discurso. Absolutamente privilexiado, sendo a súa figura (clave no nacemento do feminismo en España), outro punto do panóptico desde o cal de describe/narra a vida das mulleres na segunda metade do século XIX. Deste xeito, temos un punto que nos sitúa nas clases sociais humildes, pobres, e outro que nos leva ás clases altas ( e comprometidas socialmente). Un duplo panóptico ( e o panóptico lembra o pai o utilitarismo, Jeremy Bentham) para que a visión sexa o máis completa posíbel, dentro das estreiteces a que obriga un discurso novelesco espacialmente limitado.

                     E, se é unha novela moi atenta aos pormenores vivenciais das mulleres de clase cocial menos favorecida, máis pobre ( mulleres para servir, mulleres para lavar as ricas roupaxes de casa ricas, mulleres para parir, tamén, tantas veces, mulleres nas cales bater sen consideración ningunha…). E se é unha novela tamén ben atenta á divulgación da importancia da figura de Concepción Arenal, a importancia dunha muller que hoxe dicimos de ideais feministas e que na novela eses ideais feministas teñen tanto de humanitarios como de utilitaristas (ese “uso” das mulleres non era precisamente o máis rendíbel, desde postulados puramente economicistas), entendemos…tamén é unha novela chea de poesía, xa non só pola reivindicación de Rosalía de Castro ( desde a súa propia obra) tan presente e importante na  novela ( e que, na realidade non foi obxecto de estima por parte de Arenal…mais iso é outro cantar) , a tal persenza poética non se limita a iso, habendo sempre un capítulo (nas tres partes de que consta a novela) titulado “O  mudo coro das malas mulleres” onde a poesía está presente e onde hai que valorizar o  labor de creación e aggiornamento ( ao tipo de escrita no XIX) de que Marilar fai gala -certamente, pártese desde fontes populares, mais non todas as autorías estarían en disposición de afrontar tal tarefa, moi salientábel, neste caso. Unha novela chea dun lirismo en si denunciador, que rexeita e combate a figura da muller sometida, que reivindica (outra vez, e non serán nunca poucas) a muller que se ergue toma “ a xustiza pola man”. Isto é moi  importante e contraponse á posíbel visión dickensiana das clases sociais altas que “favorecen e salvan” as menos afortunadas. Habendo, para máis, unha outra personaxe, non se sabe se mítca ou real, como Pepa a Loba, cuxa personalidade só agora comeza  ser vista con ollos de “activismo e pesamento” feministas, que tamén ten presenza importante na novela.

                     Eis, pois, unha novela escrita en clave realista, moi documentada, que reivindica (outra máis, xa lles dixen) o labor femisita e pioneiro de Arenal, reconstruída como personaxe novelesca desde unha visión galega. Porén, non queremos que isto, o máis “espectacular” da novela, o foco de atención primordial, deixe na sombra a construción, a configuración humana e social das personaxes humildes, traballadoras e pobres, tan lograda.

                     (As malas mulleres, as que son pobres e visten farrapos e gañan a vida levando as prendas de casa ricas, as malas mulleres, as pobre que ficando  grávidas se ven na necesidade de abortar en pesímas condicións de salubridade, as malas mulleres, as fillas que axudan as súas nais a “mal morrer” e as ateden nas súas últimas horas, as malas mulleres, todas aquelas que a ditadura patriarcal social non considera “virtuosas”, as malas mulleres, todas aquelas que se rebelan e ereguen enerxicamente vendo/vivindo situacións inxustas, as malas mulleres, esas mulleres imprescindíbeis para que a humanidade progrese en igualdade de condicións sen distinguir intereseiramente entre sexos…)

                     Velaquí unha novela na que disfrutar a cualidade da escrita de Marilar (en prosa, en verso e en prosa poética), que nos lembra a importancia daquel primeiro activismo feminista (movemento que tampouco se pode entender sen a obra de Rosalía de Castro, e por iso ten tanta presenza na novela)…e, sobre todo, que nos lembra que nunca, absolutamente nunca debemos deixar de loitar.

ASDO.: Xosé M. Eyré

crítica de AS ILLAS DOS DEUSES, de Serafín Parcero, en Xerais.

CASTELAO, PROTAGONISTA

Título: As illas dos deuses

Autor: Serafín Parcero

Editorial: Xerais

Poñer un escritor ou escritora reais como protagonista, adoita chamar a atención de posíbeis lectoras ou lectoras. Non é frecuente. E, o tratarse de figuras xa coñecidas, actúa como un grande estímulo á hora de interesarse por ese determinado discurso. Xa non diganos se o protagonista da ficción é o mesmo Castelao! Porén, témolo dito moitas veces, iso tamén represnta un reto nada doado, pois quen le comparará sempre o discurso ficticio coa obra do escritor ou escritora correspondente ficcionalizado. Comparanza na cal a autoría actual se ten que amosar especialmente destro e eficaz no labor narrativo, cousa que non sempre acontece..

                     É o que temos aquí, nesta Illa dos deuses coa que Serafín Parcero se estrea como novelista. Un Castelao, xusto despois de pronunciar a súa Alba de Gloria; un Castelao xa próximo, moi próximo, á morte, a quen un asasino da Falanxe pretende matar; contra o cal un asasino da falanxe pretende atentar, pois é Castealo unha persoa moi significada como inimigo da Hespaña posterior ao Golpe de Estado franquista. E pouco máis quremos desvelar da trama. Se tal, indicar que entre os dous, Castelao e o asasino da Falanxe, se establece unha loita dialéctica…que deriva nunha relación dialéctica interpersoal na cal os dous lembran un pasado que finalmente compartiron, na Illa de Ons, un verán no cal ao enfermizo Castelao lle recomendan instancias médicas que repose, que descanse e de despreocupe, para o cal escolle a Illa de Ons.

                     Esta é a proposta narrativa que se ofrece nesta novela. Que, como é lóxico ao tratarse da primeira novela deste autor, é unha novela de formación autorial, cousa que non debe esquecerse e se notará na lectura.

                     Hai que dicir que o mellor momento da novela é precisamente esa viaxe á Illa (de Ons). Cun Castelao pouco falador, pouco falador e que mide moi ben o que vai dicir, e un barqueiro que resultará ser unha das personaxes máis logradas, un home xa entrado en anos, que fora pescador e agora gaña os cartos transportando mercadorías. E xunto con el, ao seu nivel de boa configuración, o carretreiro Avelino, carreteito que leva as mercadorías deica a cantina da Illa, tamén persoa de poucas falas. O carrreteiro e, despois, Aurora, unha  moza adolescente (imaxinamos), orfa de nai, que é en realidade quen leva a casa, quen coida do irmán (máis novo ca ela) e do borrachuzas do seu pai. Son as personaxes mellor logradas.

                     Como hai que dicir que o discurso cae nun exceso de retórica moi perigoso. Primeiro porque leva o narrador a un uso absolutamente desmedido do adxectivo, porque o narrador cae nunha moi difícil de xustificar teima en usar a adxetivación, sexa esta pertinente ou non. Atopar, a estas alturas do século XXI, unha autoría que se decante por unha adxectivación tan desmesurada, tamén é unha auténtica novidade no panorama narrativo actual; mágoa que sexa tan desmesurada, mais quen guste de narrativas moi retóricas…aquí ten un bo título. Porque esa retórica non se manifesta unicamente no narrador ( que acada os melores momentos cando esquece ser tan retórico), senón que se traslada ás personaxes. O narrador, decatándose da situación, trata de xustificar esas persoanxes (o taberneiro, ou o Fuxido, os  dous mellores exemplos) facendo que se trate de xentes que comezaron estudos superiores mais foron malos estudantes. E nin así. Nin así, o exceso de retórica no seus parlamentos, nos seus diálogos, fai que sexan personaxes pouco críbeis, excesivamente “literaturizados”. Mesmo idealizados, como caso do asasino falanxista redimido na conversa con Castelao. De verdade pode existir un asasino redimido?

                     Ademais, os diálogos das personaxes son frecuentemente interrompidos polo narrrador, de maniera enfadosa, pois evitan, cortan, o ritmo expositivo no argumentario en que se manifestan.

                     Sendo esta a primeira novela do autor, cabe agardar mellores discursos no futuro. Menos teimudamente “exóticos” no uso da adxectivación -e non imos lemmbrar agora tantísimas advertencias sobre  seu uso-, por iso menos retóricos e máis narrativos, e tamén, tamén cunha mellor dosificación da información. Aínda que aquí a confluencia temporal narrativa, entre o verán na Illa e o “atentado” contra Castelao está ben logrado.

                     Agardemos, pois.

ASDO.: Xosé M. Eyré

Márcia Wayna Kambeba: a resistencia do pobo omágua/kambeba

Márcia Vieira da Silva, nacida en Belém dos Solimões en 1979, adoptou o nome indíxena Wayna seguido do do seu pobo orixinario, o kambeba/omagua. Resulta, pois, unha  poeta máis nova, unha poeta dunha xeración máis nova que Graça Graúna ou Eliane Potiguara, antes diculgadas nestas páxinas. Da súa poesía tense dito que garda parecido co cordel nordestino. E é certo, fomalmnte adopta a forma rimada. E é tamén certo que o acontecer diario é influente nos seus poemas. Mais aí rematou todo. Son parecidos con otros moitas poesías de otros moitos lugares que, xeograficamente, poden ser ben distantes.

Na niña opinión ese gardar parecido co cordel nordestino non é máis que outra forma de silenciar o máis importante: a de Márcia Wayna Kambeba é unha poesía de resistencia fronte ao colonialismo atroz aínda vixente. Si, finais do seculo XX/princiìos do século XXI o afán colonialista branco non cesou, segue vivo, seue imperante. A mesma Márcia Wayna denuncia come ela propia foi escravizada por monxas, e como a xente nova se resistía/resiste a abandonar as súas crezas en favor doutra relixiosidade que as nega, chegando mesmo a inxerir DDT, morrer antes que ser asimilad@ pola “cultura” (que “cultura” ha ser esa?) do colonizador.

Abandonar a súa lingua,a súa fala, e os seus costumes comocondicón para ingresar no mundo do colonizador. Nada novo, coñecémolo tan ben @s galeg@s…. mais aínda segue, tanto séculos despois, activo e vixente.

De influencias falando, non se procuren referentes da poesía de Márcia Wayna entre autorías cultas. Para nada. O seu referente é sempre a cultura indíxena, en principio familiar, despois, co tempo, aspirante á universalidadse indíxena no Brasil, no posíbel, porque son aínda moitas etnias.

O seu primeiro libro Ay kakyri tama-Eu moro na cidade foi publicado en 2018, na Editora Pólem (outras fontes sinalan repetidamente a editora Grafisa). Tamén lle coñezo Kumiçá Jenó, que hai pouco viu a luz na editora estadounidense Underline Publishing.

Muller multifacética, Márcia Kambeba é formada en Xeografía, mais ela tamén é cantora, compositora, fotógrafa, activista pro indíxena. E a primeira muller a cupar cargo político destacado no Brasil, na prefectura de Belém.

A súa poesía -os eus libros, que non só conteñen poesía- constitúen unha estatexia de resistencia fronte ao colonizador, xa o dixemos, mais tamén unha estratexia de preservar no tempo o saber indíxena, pois a transmisión oral é limitada no tempo, limitada a que non se rompa a cadea de transmisión, limitada polo afán colonizador. A vida do pensamento indíxena, posta en verso, é unha vida para sempre.

Por iso, na súa poesía, que seleccionamos e poderán ler despois, non procuren artificios cultos. Non. A súa poesía é sinxela como é verdadeira, sinxela como a auga, verdadeira como a auga ( o pobo kimpeba é o pobo da auga). Porque vai dirixida ao pobo indíxena, que non entendería artificios cultos/brancos, que o que necesita é poñer por escrito a súa cultura e recoñerse nela. Recoñecerse nela, pois, como ben di a propia Márcia Wayna, non por vivir en ciudades a xente indíxena perde as súas raíces, a súa cultura. A súa cultura, as súas raíces, o seu saber, van onde @s indíxenas van, moran onde eles/elas moran.

É desde os anos 90 do pasado século que cultura indíxena comeza expresarse de forma escrita, sobre todo desde os 90¨. Estamos, pois, ante unha das poesías do Brasil máis novas. Tamén das máis interesantes, das menos contaminadas pola “cultura”(‘?)” colonizadora/invasora. E reflicte unha forma de ver/entender o mundo propia, peculiar, que debe ser preservada en lugar de combatida, polo ben da humanidade.

Desde aquí, desde este lado do Atlántico, toda a nosa solidariedade.

Como sempre, deixo ligazón para o seu Facebook, onde poderán ler máis poesía dela.

Ios coa súa poesía

(En Libro e cafe)

Silêncio Guerreiro

No território indígena

O silêncio é sabedoria milenar

Aprendemos com os mais velhos

A ouvir, mais que falar.

No silêncio da minha flecha

Resisti, não fui vencido

Fiz do silêncio a minha arma

Pra lutar contra o inimigo.

Silêncio é preciso,

Para ouvir o coração,

A voz da natureza

O choro do nosso chão.

O canto da mãe d’água

Que na dança com o vento

Pede que a respeite

Pois é fonte de sustento.

É preciso silenciar

Para pensar na solução

De frear o homem branco

E defender o nosso lar

Fonte de vida e beleza

Para nós, para a nação!

Ser indígena – Ser omágua

Sou filha da selva, minha fala é Tupi.

Trago em meu peito,

as dores e as alegrias do povo Kambeba

e na alma, a força de reafirmar a

nossa identidade

que há tempo ficou esquecida,

diluída na história

Mas hoje, revivo e resgato a chama

ancestral de nossa memória.

Sou Kambeba e existo sim:

No toque de todos os tambores,

na força de todos os arcos,

no sangue derramado que ainda colore

essa terra que é nossa.

Nossa dança guerreira tem começo,

mas não tem fim!

Foi a partir de uma gota d’água

que o sopro da vida

gerou o povo Omágua.

E na dança dos tempos

pajés e curacas

mantêm a palavra

dos espíritos da mata,

refúgio e morada

do povo cabeça-chata.

Que o nosso canto ecoe pelos ares

como um grito de clamor a Tupã,

em ritos sagrados,

em templos erguidos,

em todas as manhãs!

Tana Kumuera Ymimiua

[nossa língua ancestral]

Não se pode dizer que os Kambeba

Esqueceram a língua Tupi

Ainda existem falantes

Que não a deixam sumir

No ensinamento dos que sabem

Memorizo o que aprendi.

Kumiça yuria! Kumiça ypaçu!

[Fala, mata! Fala, lago!]

May-tini na sua grandeza

Por não conseguir entender

Viu nossa fala com estranheza

Português fez o povo aprender.

Mas os Kambeba com esperteza

Ensinavam em segredo

Superando o que seria

O fantasma do seu medo.

A língua não é determinante

Para se poder dizer

Que um indígena não é Kambeba

Por não saber escrever

Na língua do seu povo

A afirmação está no seu ser.

[Tradução de May-tini: homem branco]

Ay kakuyri tama

[Eu moro na cidade]

Ay kakuyri tama.

Ynua tama verano y tana rytama.

Ruaia manuta tana cultura ymimiua,

Sany may-tini, iapã iapuraxi tanu ritual.

Tradução:

Eu moro na cidade

Esta cidade também é nossa aldeia,

Não apagamos nossa cultura ancestral,

Vem homem branco, vamos dançar nosso ritual.

Nasci na Uka sagrada,

Na mata por tempos vivi,

Na terra dos povos indígenas,

Sou Wayna, filha da mãe Aracy.

Minha casa era feita de palha,

Simples, na aldeia cresci

Na lembrança que trago agora,

De um lugar que eu nunca esqueci.

Meu canto era bem diferente,

Cantava na língua Tupi,

Hoje, meu canto guerreiro,

Se une aos Kambeba, aos Tembé, aos Guarani.

Hoje, no mundo em que vivo,

Minha selva, em pedra se tornou,

Não tenho a calma de outrora,

Minha rotina também já mudou.

Em convívio com a sociedade,

Minha cara de “índia” não se transformou,

Posso ser quem tu és,

Sem perder a essência que sou,

Mantenho meu ser indígena,

Na minha Identidade,

Falando da importância do meu povo,

Mesmo vivendo na cidade.

Território ancestral

Maá munhã ira apigá upé rikué

Waá perewa, waá yuká

Waá munhã maá putari.

Tradução:

O que fazer com o homem na vida,

Que fere, que mata,

Que faz o que quer.

Do encontro entre o “índio” e o “branco”,

Uma coisa não se pode esquecer,

Das lutas e grandes batalhas,

Para terra o direito defender.

A arma de fogo superou minha flecha,

Minha nudez se tornou escandalização,

Minha língua foi mantida no anonimato,

Mudaram minha vida, destruíram o meu chão.

Antes todos viviam unidos,

Hoje, se vive separado.

Antes se fazia o Ajuri,

Hoje, é cada um para o seu lado.

Antes a terra era nossa casa,

Hoje, se vive oprimido.

Antes era só chegar e morar,

Hoje, nosso território está dividido.

Antes para celebrar uma graça,

Fazia um grande ritual.

Hoje, expulso da minha aldeia,

Não consigo entender tanto mal.

Como estratégia de sobrevivência,

Em silêncio decidimos ficar.

Hoje nos vem a força,

De nosso direito reclamar.

Assegurando aos tanu tyura,

A herança do conhecimento milenar

Mesmo vivendo na cidade,

Nos unimos por um único ideal,

Na busca pelo direito,

De ter o nosso território ancestral.

O que fazer com homem na vida

Que fere, que mata,

Que faz o que quer?

(Na AcroBata)

Índio eu não sou

Não me chame de “índio” porque
Esse nome nunca me pertenceu
Nem como apelido quero levar
Um erro que Colombo cometeu.

Por um erro de rota
Colombo em meu solo desembarcou
E no desejo de às Índias chegar
Com o nome de “índio” me apelidou.

Esse nome me traz muita dor
Uma bala em meu peito transpassou
Meu grito na mata ecoou
Meu sangue na terra jorrou.

Chegou tarde, eu já estava aqui
Caravela aportou bem ali
Eu vi “homem branco” subir
Na minha Uka me escondi.

Ele veio sem permissão
Com a cruz e a espada na mão
Nos seus olhos, uma missão
Dizimar para a civilização.

“Índio” eu não sou.
Sou Kambeba, sou Tembé
Sou kokama, sou Sataré
Sou Guarani, sou Arawaté
Sou tikuna, sou Suruí
Sou Tupinambá, sou Pataxó
Sou Terena, sou Tukano
Resisto com raça e fé


Os filhos das águas dos Solimões

A água é a mãe que sustenta
A vida que nasce como flor
Alimenta a planta e o ser vivente
É estrada onde anda o pescador.

Na enchente, vem veloz e furiosa
Derrubando ribanceiras e plantações
Afeta a vida do indígena e ribeirinho
É um ciclo, que se renova a cada estação.

Na vazante o rio quase some
E a praia começa a surgir
A água, agora bem calminha
Não tem forças para a roça destruir.

Nas margens de um rio em formação
Vive um povo que a água fez nascer
Em um parto de dor e emoção
Na várzea o Kambeba escolheu viver.

Mas em um contato fatal
Com um povo mais socializado
Fez dos herdeiros das águas
Um povo desaldeado.

Tomando seu solo sagrado
Sem dor, piedade ou compaixão
Os Kambebas foram escravizados
Apresentados a “civilização”
Exploraram a sua força
Forjando uma falsa proteção.

………………………..

(No Recanto das letras)

Tempo de viver

O tempo na aldéia é circular

Ukatana a grande escola

Covid-19 e os povos originários

Resistência indígena https://www.recantodasletras.com.br/poesias-patrioticas/7028130

Nesta páxina atoparán vostedes moitas máis

………………….

(En Educapes)

a propósito de LIBRES E VIVAS, varias autoras, en Galaxia

CELEBRACIÓN, EXPERIENCIA E LOITA

Título: Libres e vivas

Autoras: VV. AA:

Editorial: Galaxia

Aínda recente en nós o eco da Entre donas (Baía), onde se recollían relatos de dez narradoras (Marilar Aleixandre, Marica Campo, Rosalía Fernández Rial, Inma Löpez Silva, Teresa Moure. Emma Pedreira, María Reimóndez. Eli Ríos, Anxos Sumai e Antía Yañez, ademais de Ana Luísa Bouza Santiago, que é quen asina o epílogo), é agora a quenda de Libres e vivas, onde Galaxia reuníu outras dez autoras. Neste caso repite, para fortuna de quen le, Anxos Sumai, e incorpóranse Berta Dávila, Charo Pita, Elusabeth Oliveira, Esther F. Carrodeguas, María Canosa, María López Sández, María Xosé Porteiro, Mercedes Quixas e Paula Carballeira. E non hai nin pólogo nin epílogo, só unha presentación editorial onde se di: “Levan dicíndonolo desde que o ser humano está sobre a Terra. Que non queren ser vítimas. Mais tampouco escravas. Compañeiras. Iguais. Mulleres e homes nun mundo xusto en Igualdade. Sobre estes parámetras pedímoslle (debera se rpedímoslles) a dez escritoras de primeiro nivel das nosas letras que abodasen a cuestión do machismo, do terrorismo patriarcal contra as mulleres, da liberdade, da Igualdade, para que dende a literatura entendamos como é o seu sentir. O resultado é este volume que tes entre as mans. Dez relatos libre coma coiteladas directas á conciencia. Querémolas. Quérense. Todas. Libres e vivas.” Copiamos estas palabras da contracapa porque indican moi ás claras dúas cousas que nos interesa salientar: que é un volume de mulleres narradoras que denuncian as inxustizas relativas ao sexo/xénero feminino nunha sociedade patriarcal; e que este labor feminino e feminista é a prol dun feminismo igualitario, nin máis deberes nin menos dereitos para mulleres e homes.

                     Como sempre, un volume que reúne varias autorías é unha tentación á que @s amantes da literatura, neste caso narrativa, non adoitan resisitirse con facilidade; pois garante que, se non todas as voces narrativas, si vai topar algunha(s) que @ engaiolen, que @ interesen, que @ fagan disfrutar coa lectura. E aquí, hoxe, tamén. Como sempre nun volume que reúne varias autorías, é unha tentación non comentar unha por unha as narracións; unha tentación que imos resistir, pois nin dispoñemos de tempo para tal nin queremos desfacer a unidade que se logra no macrotexto ao salientar uns relatos sobre outros porque, case evidentemente, a calidade nas narradoras é dispar. Tamén é certo que algún relato que comeza sen cubrir o horizonte de expectativas que ao crítico lles suscita, remata de xeito ben mellor. E, desde logo, a variedade na técnica narrativa obrará que o volume resulte interesante para quen le. Por sinal, ao lado de narracións compactas e simbólicas, como é o caso das de Anxos Sumai (autora que repite, xa estaba en Entre donas) ou Berta Dávila, atópanse outras onde o fragmentarismo é usado como estratexia narrativa de distinta maneira: é o caso de Charo Pita (que bota man do epistolario); tamén Elisabeth Oliveira, en certa maneira porque o seu é un rtelato compacto; moi claramente no caso de María Canosa (do seu relato extráese o título do volume); tamén se asiste del María Xosé Porteiro, nun relato moi simbólico (o simbolismo que sinalamos nas dúas primeiras autoras non deixa de estar presente sempre, en maior ou menor grao, mais é diferente) no cal, dentro dun relato compacto a autora introduce lembranza de Isabel Allende, Arundhati Roy e Agatha Cristie, de xeito que se visibilice o feito de que unha vida/relato é en realidade a suma de diversos momentos que narrativamente poden pertencer a xéneros literarios diversos; e, finalmente, Paula Carballeira, nun realto tamén fortemente simbólico onde se reivindica a capacidade fabuladora da muller como método para liberarse do xugo machista. Temos que dicilo, foi o que máis nos sorprendeu, porque non é haitual que Paula Carballeira narre para adult@s, pola sólida armazón narrativa (moi pensada, moi calculada, extraordinariamente eficaz) e porque resulta o colofón ideal nun libro de narradoras.

                     Dúas cousas máis queremos comentar. Primeiramente que o volume explora narrativamente o vivir como un mundo de experiencias, e son esas experiencias as narradas, de tal maneira que a fabulación literaria, por moi fabulación que sexa, non deixa nunca de ser un relato do real. Un relato que denuncia o trato social inxusto e desigual que sofre a muller nos días de hoxe. Así que, se de primeiras o volume é un volume de celebración, dez narradoras reunidas cunha única finalidade, finalidade que é a loita por un mundo máis xusto para mulleres e homes, finalidade e loita que nacen da experiencia vital explorada mediante a narración…, celebración e loita únense da man da experiencia vital. E, en segundo lugar, como algo máis que curiosidade, amentar a presenza de aves nas narracións, non en todas mais si significativamente, que tamén hai que considerar como símbolos.

                     Elas. Libres. Vivas. Están aquí. E querémolas para sempre así. Loitando. Nin máis dereitos nin menos obrigas. Iguais e xeniais.

ASDO.: Xosé M. Eyré

Graça Graúna e a visibilización da cultura indíxena no Brasil.

GRAÇA GRAÚNA: SEÑORA DA POESÍA INDÍXENA II

Faise preciso sinalar que esta poesía indíxena, tanto a semana pasada tratada como tamén hoxe, é en realidade poesía de muller (hoxe Graça Graúna) de etnia indíxena mais residente en cidade (polo que sei calcúlase que algo máis de 300.0000 indíxenas viven en cidades) e que é poesía de muller culta (concretamente Graça Graúna é formada en Letras) e, polo tanto, estamos diante dunha poesía que responde aos esquemas da poesía occidental sobre todo formais; se ben na temática si se nota a ascendencia indíxena, nesta de Graça Graúna poderran vostedes ler, por sinal, haikais orientalistas na forma. Son tentativas, tanto a da semana pasada como esta, de engrandecer a tradición cultural indíxena desde a perspectiva de voces poéticas coñecedoras dos esquemas poéticos cultos (moi eurocentrados, ou  occidentalmente centrados, aínda tendo en conta as tentativas orientalistas de Graça Graúna que vostedes poderán ler) que desta maneira loitan por engrandecer unha tradición cultural (a indíxena) que non ten porque contar coa poesía entre as súas manifestacións culturais (polo menos non da maneira en que se entende a poesía culta en occidente) pois é, polo que sabemos, precisamente o conto a estratexia narrativa que máis se distingue entre @s indíxenas.

Esta poesía indíxena é unha poesía de resistencia, pois os pobos indíxenas están a ser masacrados, polas potencias conquistadoras cando a descuberta e agora polo neocolonialismo autóctono de raigame europea, tan devastador e criminoso como calquera outro. É poesía de resistencia que loita  pola visibilización das etnias indíxenas nun panorama social e cultural que as oculta sistemáticamente, moito máis desde o bolsonarismo, ardente impulsor da súa desaparición.

Se a poesía de muller xa é marxinada por ser poesía de muller, e a poesía de muller negra moito máis, pois imaxinen o que se incrementará isto se se estamos a falar de muller negra e indíxena. Conscientes disto, desde este lado do Atlántico, prestamos as nosas páxinas como forma de divulgar a voz índíxena, de visibilizala, unha voz que será unha desgraza enorme cando despareza ( e entón demasiado tarde para rectificar), e facémolo porque é preciso e facémolo porque é xusto e facémolo con moito orgullo porque entre otras cousas tamén constribuímos ao desterramento de tópicos (“brutos”, “incultos”…) que pairan sobre @s indíxenas. Sobre os indíxenas e sobre nós, @s galeg@s..

Solidariedade entre irmáns oprimidos.

Graça Graúna é o nome indíxena de Maria das Graças Ferreira, escritora, crítica literaria, profesora de literatura. Orixinaria de São José de Campestre (Rio Grande do Norte), municipio rural duns 13 mil habitantes é é profesora adxunta da Universidade de Pernambuco. Entre os seus títulos poéticos atopamos: en 1999, Canto Mestizo (Ed. Blocos/RJ); en 2001 –Tessituras da Terra ,(Edições M.E); en 2007,Tear da Palavra,(Ed. M.E/BH); en 2014,  Flor da mata. Haikais. (Ed. Peninha/BH. A súa etnia é a potiguara Para saber máis sobre a súa obra, activismo e fortuna crítica, déixoo coas palabras sempre imprscindíbeis de Elfi Kurten.

Evidentemente, a súa obra é anterior á de Eliane Potiguara, tratada a semana pasada,e, polo que sei debe entenderse como unha das pioneiras na expresión poética indíxena. Sobre as poéticas indíxenas remítoos a este artigo, breve mais clarificador, de Pedro Cesarino

Como sempre déixolles ligazón ao seu blog Tecido de vozes onde poderán atopar moita acyualidade sobre os pobos e culturas indíxenas.Unha bitácora imprescindíbel.

(En Dhnet.org)

…………………

(Na AcroBata)

Canção Peregrina

I
Eu canto a dor
desde o exílio
tecendo um colar
muitas histórias
e diferentes etnias

II
Em cada parto
e canção de partida,
à Mãe Terra peço refúgio
ao Irmão Sol, mais energia
e à Irmã Lua peço licença poética
para esquentar tambores
e tecer um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.

III
As pedras do meu colar
são história e memória
são fluxos de espírito
de montanhas e riachos
de lagos e cordilheiras
de irmãos e irmãs
nos desertos da cidade
ou no seio da floresta.

IV
São as contas do meu colar
e as cores dos meus guias:
amarela
vermelha
branco
negro
de Norte a Sul
de Leste a Oeste
de Ameríndia
ou de LatinoAmérica
povos excluídos.

V
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.
Se não me reconhecem, paciência.
Haveremos de continuar gritando
a angústia acumulada
há mais de 500 anos.

VI
E se nos largarem ao vento?
Eu não temerei,
não temeremos,
pois antes do exílio
nosso irmão Vento
conduz nossas asas
ao círculo sagrado
onde o amálgama do saber
de velhos e crianças
faz eco nos sonhos
dos excluídos.

VII
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.


Colheita

Num pedaço de terra
encabulada, mambembe
o caminho de volta
a colheita, o ritmo
o rio, a semente

Planta-se o inhame
e nove meses esperar
o parto da terra.
Planta-se o caldo
e docemente esperar
a cana da terra

Palavra: eis minha safra
de mão em mão
de boca em boca
um porção Campestre
Potiguara ser.


Geografia do Poema

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinza,
Um sonho foi desfeito
E mil povos clamaram:
_ Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento!

[…]

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.

[…]

Pelas ruas
a tristeza dos tempos,
a impossibilidade do abraço.
Nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consome a miséria: matéria prima
de nossa sobrevivência.

[…]

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
lastimam o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombrias.
Se o medo se espalha
Amargo será sempre o poema

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema:
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
A terra está sentida
de tanto sofrimento.


……………………………….

(Na Cidadeverde)

RETRATOS 

Saúdo as minhas irmãs 

de suor papel e tinta 

fiandeiras 

guardiãs,

 ao tecer o embalo 

da rede rubra ou lilás 

no mar da palavra 

escrita voraz.

 Saúdo as minhas irmãs 

de suor papel e tinta 

fiandeiras 

tecelãs 

retratos do que sonhamos 

retratos do que plantamos

 no tempo em que nossa 

voz era só silêncio.

OFERTÓRIO 

Comei e bebei! 

estas palavras são meu corpo 

nem alegre, nem triste 

só um corpo 

Comei e bebei! 

Nestas palavras minh’alma 

talvez a mais próxima 

de um revoar de sonhos 

Mas se este ofertório

 te parece pouco, 

ide ao verso-reverso 

onde o nosso sudário 

continua exposto

CARTOGRAFIA DO IMAGINÁRIO 

               (para Ivan Maia, Leila Miccolis, Márcia Sanches e  Urha) 

…do meio da noite 

ao meio do dia 

o espanto do universo 

retalhado em fatias 

alimenta o poema 

e a vertiginosa fome de vencer 

o intrincado mundo das palavras 

da noite ao meio dia 

(a)talhos e fatias 

dos muitos caminhos do mundo 

alimentam 

a cartografia do imaginário 

do corpoema 

………………………………………….

(No Recanto das letras)

Luz e sombra

Elegia do amor maduro

Escritos

Cantares

“História e memoria”

“Poética da autonomía”  https://www.recantodasletras.com.br/poesias-do-social/2532550

…………………….

(Selecta de Elfi Kurten)

Abismos
toda lua é engano
todo anjo é cruel
no abismo de eternidade
e ânsia
do corpoema
 
– Graça Graúna, em “Saciedade dos poetas vivos digital”. vol. 1. (antologia)..[seleção e organização Leila Míccolis]. Blocos online, 2006.


Canción peregrina
I
Yo canto el dolor
desde el exilio
tejendo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias
 

II
Em cada parto
y canción de partida,
a la Madre-Tierra pido refugio
al Hermano-Sol más energia
y a la Luna-Hermana
pido permiso (poético)
a fin de calentar tambores
y tecer um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.


III
Las piedras de mi collar
son historia y memória
del flujo del espírito
de montañas y riachos
de lagos y cordilleras
de hermanos y hermanas
en los desiertos de la ciudad
o en el seno de las florestas.
 

IV
Son las piedras de mi collar
y los colores de mis guias:
amarillo
rojo
branco
y negro
de Norte a Sur
de Este a Oeste
de Ameríndia o Latinoamérica
povos excluidos.
 

V
Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
Se no lo reconocem, paciência.
Nosotros habemos de continuar
gritando
la angustia acumulada
hace más de 500 años.
 

VI
Y se nos largaren al viento?
Yo no temeré,
nosotros no temeremos.
Si! Antes del exílio
nuestro Hermano-Viento
conduce nuestras alas
al sagrado circulo
donde el amalgama del saber
de viejos y niños
hace eco en los suenos
de los excluidos.


VII
Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
 
– Graça Graúna, em “Tear da palavra”. Belo Horizonte MG: M.E Edições Alternativas, coleção ME 18, 2007.


Canto mestizo
Donde hay una voluntad
hay un camino de espera.
Apesar de las fronteras
las carceles se quebrantan.
Mira! En mi tierra mestiza
un pájaro de América canta!

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Canta la fuerza del pueblo
del niño solo en la calle
del campesino y el obrero
hermanos de la Verdad.
La Libertad incendia
tu voz cruzando el aire.

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

– Graça Graúna, em “Canto mestizo”. Maricá RJ: Editora Blocos, 1999. 


Caos climático
É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar.

As folhas secas rangem sob os nossos pés.
Na ressonância o elo da nossa dor
em meio ao caos
a pavorosa imagem
de que somos capazes de expor
a nossa ganância
até não mais ouvir
nem mais chorar
nem meditar,
nem cantar…
só ganância, mais nada.

É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar. 
 
– Graça Graúna (outubro 2009), in: LIMA, Tarsila de Andrade Ribeiro. Entrevista com Graça Graúna(…). Palimpsesto, nº 20, Ano 14 – 2015, p. 146.


Dores d’África
Eh, meu pai!
Em vez de prantos
é melhor que cantemos.

Eh, meu pai!
É melhor que cantemos
a dor contínua
a solidária luta
de poetas-bantos
contra a tirania

– Graça Graúna, em “Canto mestizo”. Maricá RJ: Blocos, 1999, p. 49.


Escritos
…e se me ponho a juntar
escritos de gozos
raízes de abraços

bem sei: não é apenas saudade
ou mesmo lembranças
a dor que me cerca

é algo mais forte
que o tempo da distância
não alivia, nem basta.

– Graça Graúna, em “Tessituras da Terra”. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001. 


Estações
O terraço da casa da velha senhora
parecia uma estação de primavera.
Faz tanto tempo…!

Cadeiras de balanço
barcos de papel, velocípedes
jarros de cacto e jasmins
encantos aos pares:
quantos sóis, quantas luas
e um punhado de estrelas.
Coisas da vida
que iluminam a alma
para manter o equilíbrio do planeta.

“…tempo de verão fazia poeira…”
os sonhos se multiplicaram
e o flamboiã ganhou tamanho
igual ao pé de feijão
(quase tocando o céu)
em meio a uma infinda
ciranda de fantasias.

Brotava uma luz
no rosto da velha senhora.
Agora,
as folhas de outono
cobrem o terraço de silêncio.

– Graça Graúna.’Estações’. em “Terra latina: antologia internacional”. (org.). Zeni Brasil. Curitiba/PR: Editora Abrali, 2005, p.124.


Geografia do poemaI
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram:
– Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.
 
 
II
Na geografia do poema voam balas
passam na TV os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo
da velha é sentença
marcada na réstia
do sol quadrado.
 

III
Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças
nos corredores da morte
nos becos da fome
consomem a miséria
matéria prima da sua sobrevivência.
 

IV
Nos quarteirões
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
dos tempos madrugados.


V
Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombrias.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema
 

VI
O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um sonho foi desfeito
mil povos pratearam.
A terra está sentida de tanto sofrimento.
Mas…
 

VII
Haverá manhã
e o sol cobrirá
com os seus raios de luz
a rosa dos ventos
 
– Graça Graúna, em “Tessituras da Terra”. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 46-49.


Macunaima
Do fundo da mata virgem
ele ri mui gostosamente alto
e diz: – ai que preguiça!

Coisa de sarapantar
os sons e os sentidos
espalham-se
um
três
trezentos
amarelos
brancos
pretos retintos
pícaros/ícaros
Brasil
brazis
crias de um homem submerso

– Graça Graúna, em “Canto mestizo”. Maricá RJ: Editora Blocos, 1999. 


marGARIdas
Nem todas as flores
vivem gloriosamente em flor.
Uma delas sobrevive
catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
do playground à lixeira

marGARIda-amarela
marGARIda-do-campo
marGARIda-sem-terra
marGARIda-rasteira
marGARIda-sem-teto
marGARIda-menor

pela terra mais garrida
de maio a maio arrastando
o seu carrinho de GARI.

Catando os nossos restos
juntando os nossos pedaços
vai e vem uma marGARIda
brotar no seu jardim

– Graça Graúna, em “Tessituras da terra”. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001.


Memórias das cinzas
anjos caídos sob os viadutos
segredam sonhos
em meio ao alumbramento
de um terça-feira gorda
a legião se mistura
para renascer das cinzas
em qualquer dia de sol
ou quando a chuva vier
 
– Graça Graúna, em “Poesia para mudar o mundo”. (org.). Leila Míccolis, Blocos online, 2013.


Quase haicais
Tempo de estio:
sobre a carcaça do boi
um cão faminto

***
Da serra ao mar
os ancestrais dialogam
ao som do vento

– Graça Graúna, em “Poesia para mudar o mundo”. (org.). Leila Míccolis, Blocos online, 2013.


Quase-haikai I 
1.
Braços para o infinito
o espantalho subverte
a ferocidade do mundo


2.
Entre o sono e a vigília
o canto da cigarra
inunda o sertão


3.
Noctívaga dor-em-dor
pouso na árvore do mundo
clandestina


4.
Porque és pedra
o que dirá a poesia
sem a tua presença?

5.
Dias de sol
distendo as velhas asas
num hai kai latino
– Graça Graúna. ‘Hai kais’. em “Canto mestizo”. 1ª parte. Maricá/RJ: Blocos, 1999, p. 17-21.


Resistência
Ouvi do meu pai que a minha avó benzia 
e o meu avô dançava 
o bambelô na praia, e batia palmas
com as mãos encovadas
ao coco improvisado,
ritmando as paixões 
na alma da gente.             
Ouvi do meu pai que o meu avô cantava 
as noites de lua, e contava histórias
de alegrar a gente e as três Marias.

Meu avô contava:
a nossa África será sempre uma menina.
Meu pai dizia:
ô lapa de caboclo é esse Brasil, menino!
E coro entoava:
_ dançamos a dor
tecemos o encanto
de índios e negros
da nossa gente
 
– Graça Graúna,poema “Resistência”. in: RIBEIRO, Esmeralda; BARBOSA, Marcio (Org.) Cadernos Negros, nº 29. São Paulo: Quilombhoje, 2006, p. 120.


Reverso do cárcere
Na alta madrugada
o coro entoava
estamos todos aqui
no ofício de ser
criador
criatura
traçando, tecendo
das circunstâncias
vertentes.
Assim, torno a ver
no reverso do cárcere
o lado negro e cru
do ofício de escrever

– Graça Graúna. em “Tessituras da terra”. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.36.

 
Tessituras
Ser todo coração
enquanto houver poesia:
essa ponte entre mundos apartados

– Graça Graúna. em “Tessituras da terra”. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.31.


Uns cavaleiros
No deserto das cidades
uns cavaleiros sonham
mas sonham só
seduzidos pela mais valia.

De resto,
lugar nenhum no coração
para encantar Dulcinéias.

Onde o herói contra os moinhos?

– Graça Graúna, em “Canto mestizo”. Maricá RJ: Editora Blocos, 1999, p. 45.

……………………………………….

(En Poesia na alma)

Sempre-viva

Lá,

no esconderijo

vivia uma certa menina

meiga

doce

Sempre-viva-Coralina

Na casa velha da ponte

igual à cabocla velha

à margem do Rio Vermelho

a menina de trança

meiga e mansa

igual à Nega Fulô

carente de alforria

Meiga, mansa

Cora Coralina

carregou dentro de si

amarga e doce poesia

tecida no esconderijo

de todas as vidas

nos becos

Sempre-viva

………………..

Reinventar

A pena desliza

sobre o papel.

As palavras voam.

……………………

Da humanidade levada pelas águas

(Em memória de Aylan Kurdi)

Viver é perigoso,

o poeta dizia.

Assim mesmo insistimos

em fazer a travessia.

Viver é perigoso,

mas seguimos

vestidos de coragem

na ânsia de encontrar

o olhar generoso

o abraço apertado
a mão amiga

que acolham os nossos sonhos…

Em meio à travessia

a humanidade

é levada pelas águas

e tudo que me fica

é uma tênue esperança

que se alastra pelo mundo

nos sonhos do pequeno anjo

de asas partidas.

Apesar das muralhas
e dos arames farpados,
o direito à Paz nos aproxima.

Viver é perigoso,

mas insistimos….

……………………..

A CAMINHO DO HAITI TEM UMA PEDRA (*)

tem uma jangada de pedra
a caminho do Haiti
a esperança se avizinha
pois navegar é preciso
ou como diz o velho Mago
uma obrigação todos temos.
E agora, que fazer?
A caminho tem uma pedra
e uma jangada se recria
pois não há mais tempo a perder
________

(*) Fiz este poema, pensando em Carlos Drummond de Andrade, autor do poema “No meio do caminho” e empreguei o termo Mago para homenagear SaraMAGO e a sua solidariedade ao povo do Haiti.

……………………………………

(En Poesia para mudar o mundo)

Memórias das cinzas

anjos caídos sob os viadutos
segredam sonhos
em meio ao alumbramento
de um terça-feira gorda
a legião se mistura
para renascer das cinzas
em qualquer dia de sol
ou quando a chuva vier

Ser potiguara

– Vamu apanhá sol?
– Vamu.

De sal a sol, multiplicar a semente
pelo caminho de volta
com Tupuna sorrindo.

Vagamundo

Carrego cicatrizes
(…e quem não as tem?)
De algumas esqueço,
enquanto outras sangram
porque feitas de punhais-palavras.
A cada (a)talho, vago pelo mundo
para driblar esse mal
chamado coração.

Quase haicais

Tempo de estio:
sobre a carcaça do boi
um cão faminto

***

Da serra ao mar
os ancestrais dialogam
ao som do vento

……………………

a poesía descoñecida de Cunqueiro

PARA CANDO CUNQUEIRO ENTEIRO?

Título: Cunquieo XL

Autor: Älvaro Cunqueiro / Edición, selecta e limiar de Xosé-Henrique Costas

Editorial: Servizo de Publicaións da Universidade de Vigo

Comecemos por aclarar que, ao ser crítico de novidades, a crítica histórica é para min un devezo incumpríbel a causa da tiranía do tempo. Porén hoxe fago unha excepción, porque vou escribir a raíz dunha publicación nova, aínda que esta sexa relativa a un autor histórico como Álvaro Cunqueiro, que nos presenta a posibilidade de acceder a unha parte da súa poesía só coñecida e recoñecida como tal por un número reducido de estudosos. Polo tanto, tamén é novidade. Mais, sigan lendo, porque hai moito que aclarar.

                     Por exemplo, esta é unha edición non venal para a conmemoración do 40 cabodano do pasamento do inmortal Álvaro Cunqueiro. Non o procuren nas librarías. Tampouco son moitos os exemplares tirados.

                     Sabido é, e aínda no ven valorizado, na miña opinión, o esforzo tradutor de Álvaro Cunquiero, que comunicou á poesía galega o melloriño que se viña lendo na poesía universal.. Xosé-Henrique Costas menciona Abu Sinnah, Anna Akhmátova, Guillaume de Appolinaire, Gabriel Aresti, Charles Bodelaire. Hilaire Belloc. William Blake, Alain Bosquet, Blaise Cendrars, Adelaide Crapsey,Leonard Cohen, Gregpry Corso, Hart Crane, Eddward Cummings, Elily Dickinson, Hilda Doolittle, T.S. Eliot, Paul Eluard, Salvador Espriu, Lawrence Ferlinghetti, Lars Forsell, Sojo Enio, Vladimir Holan, Friederich Hölderlin, Ted Hughes, Ivar Isak, Max Jakob, Konstantin Kavafis, Jack Kerouac, Nizar Qabbani, Jules Laforgue, Li Po, Harry Martinson , Rod Mackuen, Henri Michaux, Chao Ming Wen, Frederic Mistral, John Montague, Sean O´Cassey, Costis Palmas, Brian Patten, Cesare Pavese, Charles Peguy, Ezra Pound, Antonia Pozzi, Salvatore Quasimodo, Raimond Queneau, Rainer Mª Rilke, Nelly Sachs, Carl Sandburg, Yorgos Seferis, Mª Luísa Spaziani, Jules Supervielle, Dylan Thomas, Giuseppe Ungaretti, Paul Valery, Paul Verlaine, William carlos Williams, William Yeats…e escolmas poéticas hindú, acadia, finesa, navaja, pigmea, viquinga, xaponesa, hebrea “ou das latitides máis insospeitadas” (12)

                     A presente selecta está feita a partir das “traducións” de poetas absolutamente descoñecidos. Tan descoñecidos teñen que ser que seguramente só eran familiares ao caletre do propio Álvaro Cunqueiro. É dicir, estamos a falar de heterónimos de Álvaro Cunqueiro. Non son o único que o pensa, estou seguro. Xa Xesús González Gómez deu noticia de apócrifos cunquieriáns en Os poetas inventados por Cunqueiro.

                     Deste xeito, estariamos a falar dun corpus poético novo, un corpus poético nacido do inmenso poder fabulador de Álvaro Cunqueiro. E quero insistir neste poder fabulador en dous sentidos. Primeiro porque é o autor mindoniense quen inventa eses autores (dos cales ás veces tamén ofrecía datos bio-bibliográficos) e eses poemas. En segundo lugar porque neses poemas tamén se pode comprobar o espírito fabulador, si, sentro do propio poema.Álvaro Cunqueiro sempre foi un espírito literario anovador moi comprometido cunha transgresión xenérica que o mantiña en contínuo estado de experimentación. Iso é perceptíbel xa desde Mar ao norde (1932), moi perceptíbel. En Poemas do si e non (1933), seguindo a Xosé ramón Pena, achégase ao surrealismo, porén dúas edicóns tan seguidas dannos para pensar que a redacción dos osu poemarios tivo que coincidir temporalmente. É dicir, durante un tempo experimentou poeticamente a partir de dúas tendencias poéticas de actualidade. Experimentaba a partir de, por iso sempre foi un poeta fronteirizo. Isto confírmao, tamén do 1933, Cantiga nova que se chama riveira, título neotrobadorista que afonda no que viñamos dicindo, e xa non serían dúas experimentacións senón tres.. Os posteriores títulos poéticos (Dona de corpo delagado, 1950, e Herba de aquí e acolá, 1980), na súa variedade, non desmenten este afán experimentalista.

                     Isto referido á poesía. Pasa igual na prosa e tamén no teatro. Permítannos non abundar.

                     Porén é nestes poemas apócrifos, nestes poetas heteronímicos, onde Álvaro Cunqueiro mellor podía deixar voar ese afán experimentalista, totalmente ceibe. E, estes poemas, dan unha imaxe da poesía de Cunquiro moi moderna, tremendamente moderna, ademais de contaren cunha calidade poética moi salientábel, como é lóxico, pois non ía traducir medianías. Nunha primeira lectura desde Cunquiro XL xa detectamos continuidade temática co resto da súa obra, por sinal, no recurso á itinerancia. Que existan eses poetas, aos que eu denomino heterónimos, está por demostrar. Mentres iso sexa así, e cónstame quen realizou procuras ben fondas e eu mesmo tamén o tentei con algúns, e sexa posíbel establecer continuidades temáticas…debemos pensar que é o propio Cunqueiro, a través doutros heterónimos (AL -Álvaro Labrada, seguramente-, MMS, CX e algúns sen autoría), quen é o verdadeiro autor. Falei da continuidade temática, que existe, e dei un exemplo, mais tampouco é imprescindíbel, a meu xuízo. O que si non podo deixar de indicar, de repetir, é que este, método fabulatorio de Cunqueiro, permitíalle unha grande liberdade de experimentación formal, habendo mesmo algún poema onde a estrutura narrativa resulta indelébel (como o segundo, o de Phyllis Mac Calvert, “O cabalo no seu escano” (18)). Dixen algún e debería dicir moitos, porque a hibridación xenérica (prosa-verso) case sempre está presente. Por iso insistimos en que o seu grande poder fabulatorio tamén é posíbel certificalo nestes poemas. Poder fabulatorio, tantas veces atribuído unicamente á prosa.

                     Alén disto, tamén é necesario editar dunha vez o corpus poético traducido de poetas reais e existentes. Só así  poderemos ter unha imaxe que se achegue á realidade do poeta que é Álvaro Cunqueiro. Unha imaxe xusta. Xa abondou con Manuel Antonio e o seu coñecemento parcial durante décadas, que non pase o mesmo con Cunqueiro, don Álvaro.

ASDO.: Xosé M. Eyré

crítica de FLORES DE FERRO, de María Rei Vilas, en Galaxia

O VIGOR DA NOVELA

Título: Flores de ferro

Autora: María Rei Vilas

Editorial: Galaxia

Como lector, son crítico; e como crítico, son lector. Cando enceto unha novela, e o comezo é bo, nacen  nun unha serie de expectativas que, de cumprirse, han levar a un remate que non decepcione ou que aínda mellore o inicio. Tamén pode pasar que, e acontece máis do que quixeramos, despois dun comezo como mínimo prometedor…todas esas expectivas se veñan abaixo; sinal (un deles) de que o discurso está pouco traballado. Infortunadamente, na nosa narrativa, os discursos que son “primeiras versións” abundan máis do que sería desexábel. Porén, como este non é caso e nos atopamos cunha novela que responde ás expectativas xeradas no inicio, agora, como crítico, debo expoñer as razóns polas cales este discurso merece esa cualificación. E alá imos.

                     Primeiramente, e antes de nada, outra novela sobre a Guerra Civil? Outro disucurso sobre o Golpe des Estado franquista? Outro discurso sobre o “esrado de terror” instaurado despois dese Golpe de Estado franquista, como arma para afortalar o o ideario social da “ Nova (Sic) España”? Pois si. E tampouco cremos que deba ser o último a denunciar os crimes cometidos como método de represión contra os que non aceptaban (ou se significaran en idearios opostos ás estipulacións sociais da ditadura) a perda de valores democráticos que supuxo a ditadura franquista. E creo necesario repetir este argumento, xa reiterado, porque a novela de María Rei Vilas advirte do que sucede cando os ideais democráticos e progresistas que fan do pobo o albo de actuación política…se ven substituídos polos intereses políticos e conómicos particulares en nome dunha suposta ideoloxía “salvadora2 (sic). Algo que non debemos deixar de ter en conta, nin nos días que corren ni en calquera outros.

                     Ben, digamos que esta primeira novela de María Rei Vilas, que foi merecente do García Barros 2020, ten un comezo moi intelixente. A estratexia narrativa consiste en describir o que fan as personaxes para que quen le se interese polo que pensan. E resulta moi efectiva como porta ou camiño para que o relatado entre en nós, para que nos interesemos polo que se nos  conta e vai ser contado. Evidentemente, a descrición é unha das armas empregadas para tal fin (armas, oxalá esa fora a única acepción desta palabra), e que terá continuación no resto do discurso, sempre moi atento á descrición detallada. Porén, non é a única, porque iso supón o feito de que o que se nos conte veña relatado igual que unha cámara cinematográfica dá conta duns feitos. Supón un ollo narrativo “supra-personaxes” ( desculpen o plabro) que despois se irá transformando, tamén moi intelixentemente.

                     Ben, e digamos tamén que, de primeiras a idea e estrutura narrativas tampouco son novas (que é novo na literatura hoxe en día?). Pártese da situación dunha muller (adulta máis aínda moza) que, por mor do ictus que sofre o seu pai, se ve na obriga de vender a herdanza familiar como medio para obter os cartos necesarios que o coidado do pai require. Iso lévaa á localidade de orixe, Briana, onde se enfrontará á razón de que medrara sen nai desde moi  nova, e á de ter un irmán do cal non sabe nada desde hai moito tempo, e a coñecer unha serie de personaxes que, sen ela sabelo, tamén forman parte da súa vida, da súa traxedia persoal. Deste xeito, cóntanse dúas historias que son unha, que conflúen, a dos anos da II República e posterior Golpe de Estado franquista, e a indagación nas raíces familiares da protagonista. Un esquema xa visto/lido, mais que aquí se desenvolve particularmente ben, cunha efectividade narrativa notábel.

                     E como se consegue esa efectividade narrativa tan notábel? Pois facendo que quen le pase de interesarse polo relatado, polo que pensan as personaxes no que se conta, a que esas personaxes pasen a formar parte do mundo afectivo de quen le, a que se lles tome afecto. Deste xeito, despois, o remate estoura coma unha bomba que nos atinxe e non nos deixa indiferentes. Mais, para iso, cómpren outras cousas que conduzan a ese efecto. Como unha configuración das personaxes moi a salientar, tan humanas como complexas, que nos levan a familiarizarnos con elas, a acompañalas no seu desenvolvemento, e sen que isto impida o mantemento do misterio, pois, outra virtud, é a dosificación da información, que está ben levada a cabo. Personaxes tan humanas como complexas, lonxe de arquetipos planos. Quizá o Indiano sexa a máis tópica, porén é máis obxecto da narración ca suxeito dela, importa máis a súa dimensión social e política cá persoal.

                     Repetimos, o tránsito da impersoalidade narrativa (na descrición) á familiarización das personaxes (mundo afectivo) está moi ben logrado. E as personaxes, sobre todo as femininas (mais non só), teñen un protagonismo especial, e cando digo especial tamén quero dicir real. Real, de realismo. Son personaxes complexas que enfrontan a vida desde intereses ben diferentes, con resultados diversos e métodos moi acordes ao que pretenden (que vén “ditado” pola súa condición social). Sobre todo nas mulleres aniña un espírito de superación lexítimo e ás veces transgresor, son as auténticas “flores de ferro”, elas, máis que as que pechan a casa do Indiano. Personaxes rexas, ás veces, moi ben configuradas como personalidades acaídas ao seus status social mais que queren progresar (case empre) e trascender as miserias que a vida lles depara. E, cada unha ao seu xeito, ás veces con renuncias incluídas, tiran para adiante a fin de lograr os seus propósitos (educacionais, laborais, sentimentais, sociais…).

                     Porén, unha vez recoñecido o protagonismo feminino e a súa rexa e variada configuración, tocamos xusto aí outro asunto que merece destaque. Falamos de superación. En boa parte é unha novela de superación, mesmo novela de aprendizaxe, sen deixar de ser tamén unha novela memorialista, unha novela de misterio e unha novela de dupla reivindicación social: a do rol que xogan estas mulleres de ferro, a das esperanzas republicanas e a  represión posterior ao Golpe de Estado franquista. E non é que se alternen todos estes xéneros que caben nesta novela, fanse máis visíbeis cando a trama o require e non desaparecen por completo nunca. Deste xeito, a novela resultante é moi rica e non é de estrañar que se nos pouse nos adentros para acompañar o relato deica o seu desenlace.

                     Unha novela moi rica, e sen dúnida moi traballada, da cal só desexariamos que dessapareceran certas grallas, sobre todo na primeira parte da novela, como “unha una”, por dinal.

ASDO.: Xosé M. Eyré